Primeira Maratona Feminina: a imagem mais marcante da história das Olimpíadas

Primeira Maratona Feminina: a imagem mais marcante da história das Olimpíadas


A primeira maratona feminina

No dia de 5 de agosto, há 32 anos, as mulheres mostraram toda sua força na primeira maratona feminina em olimpíadas. O ano era 1984, Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos.

Só 88 anos depois dos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, em Atenas, Grécia, é que as mulheres puderam disputar a prova. Vale lembrar que é a maratona que encerra os jogos.

 

Força não reconhecida

Mesmo em 1896 – nos jogos de Atenas – as mulheres não aceitaram a exclusão. Uma teria disputado, palmo a palmo, uma prova classificatória mesmo sabendo que seu esforço não seria levado em conta. Já outra largou a prova logo após os homens e foi de penetra.

Não foi permitida a sua entrada no estádio Panathinaikos, que recebia os corredores. Por isso deu uma volta completa nele, pelo lado de fora, para garantir que havia completado toda a distância da prova.

Ou seja, a desculpa da fragilidade feminina para proibir a presença das mulheres na Maratona não tinha fundamento!

Somente em 1981 foi aprovada pelo Comitê Olímpico Internacional a participação das mulheres na prova. Após grande pressão na década de 1970, e com provas tradicionais – como a Maratona de Boston e Nova Iorque – já aceitando a participação feminina.

Los Angeles – 1984

Cinquenta mulheres, de 28 países, largaram às 8 horas para o desafio. Quarenta e quatro completaram a prova, a norte-americana Joan Benoit Samuelson, em primeiro lugar, com 2h24min52.

A brasileira Eleonora Mendonça foi a única representante do país, chegou com o tempo de 2h52min19.

Mas a imagem que ficou marcada no tempo não foi da campeã. Vinte minutos depois da primeira colocada, entrou no Memorial Coliseum, a atleta suíça Gabriele Andersen, na época com 39 anos.

 

Imagens marcantes

Desidratada e sofrendo de fortes cãibras, Gabriele adentrou ao local envergada. Mal conseguindo controlar mais os movimentos do corpo.

Mesmo assim, torta e quase desmaiando, a atleta completou a última volta da prova na pista de atletismo do estádio.

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Os membros da equipe médica que acompanhavam o trajeto ofereciam ajuda. Mas mesmo quase sem forças, Gabriele recusou ajuda e cruzou a linha de chegada com o tempo de 2h48min42, em 37º lugar, pra depois ser atendida.

Quem tem a minha idade – hoje tenho 34 anos – com certeza já deve ter visto a cena. Marcante e emocionante – as imagens mostram que a determinação do ser humano , mulher ou não – é capaz de fatos históricos.

 

Lição de determinação

Em um vídeo, ela comenta que perdeu o último posto de hidratação. E que outras atletas haviam sofrido com o forte calor, mas que como foi no início da prova, elas haviam desistido.

Gabriele, com 39 anos, não achava que conseguiria se qualificar para as próximas olimpíadas. E como já estava no fim da prova, estava determinada a termina-la.

Ela conta ainda que não se sentiu confortável com a atenção que recebeu dos médicos e, principalmente, do público. Ele acompanhou com aplausos os passos dela na pista. Mas os outros atletas mostraram que ela mereceu o incentivo.

Neste vídeo é possível ouvir a narração da chegada de Gabriele e a torcida aplaudindo a atleta.

Agradecimento especial ao Antonio, o maridão que me chamou a atenção pra essa história belíssima. E que ficou cobrando o post aqui no Mulheres na Pista.

Fernanda Lüttke

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