TRC Araçatuba Half Marathon Skyrace
Treinei no Araçatuba há uns dois anos, fiquei apaixonada, uma subida difícil, mas com uma vista maravilhosa. É uma prova de corrida de montanha muito tradicional e neste ano foi a primeira etapa do Skyrunner National Series Brazil (Campeonato Nacional Skyrunner) na modalidade SkyRace® e sede 2018 do primeiro Youth Skyrunning National Champs (Campeonato Brasileiro Juvenil da Skyrunning).
Não ia fazer esta prova neste ano, mas a gente sempre tem aqueles amigos que lançam o desafio, e ainda bem que eles existem, e eu me joguei. Sabia que seria difícil, estava sem treinar subida, mas no mínimo renderia um belo passeio. Me inscrevi nos 13 km, que é o trecho mais bonito da prova que aconteceu no dia 17 de fevereiro e reforcei meus treinos com o Mirante. Desde o início do ano, toda semana, no mínimo, uma subida no Mirante. E assim achei que estava me preparando, de fato estava, mas não tanto quanto deveria. Já já eu explico…
Bem, na semana da prova arrumei a carona, sairíamos as 05:30 de Joinville. Na noite anterior, arrumando as coisas eu só pensava porque eu tinha inventado isso, mas é sempre assim quando tenho que acordar cedo.
Despertador tocou, fiz um lanche e foi… Aí foi entrar no carro e aproveitar a troca de experiência e as dicas, falar sobre próximas provas, aquele bom e velho papo que só pessoas com gostos em comum podem ter… a corrida de montanha e seus desafios!
Chegamos no pé da montanha e estava friozinho. Pegamos o kit (aqui vai uma sugestão pra organização: quando colocar o tamanho das camisetas, coloquem as dimensões. Eu havia pedido P, mas o P era infantil. Troquei o tamanho a duras custas). Enfim, nos alimentamos, aquecemos e acompanhamos a largada dos 21k. Meia hora depois era os 13k. Nesta hora começou a ansiedade. Aquele frio na barriga, a oração pra tudo correr bem e sem quedas e machucados.
Fomos pra checagem de equipamentos e em seguida pra linha de largada (provas de montanha exigem equipamentos obrigatórios: apito, manta térmica, corta vento e hidratação, e você não larga se estiver sem um dos itens). E lá fomos nós, eu e a Dd, observando a largada do campeonato juvenil, onde tinha apenas uma menina competindo.
Minha meta: chegar bem e dentro da linha de corte que era cinco horas. Da Dd a mesma coisa, sem lesões porque ela tem a prova da Patagônia (pessoa chique né?)… como disse o Alan, nosso coach de Trail, a estratégia era largar, correr, subir a montanha, descer a montanha e chegar. Enfim, chegar vivas e aproveitar o momento.
E assim foi. Largamos forte pra não pegar congestionamento na trilha. Quando chegamos na trilha começou a subida. Logo a Dd ficou pra frente e eu segui no meu ritmo. Lembrava um pouco do trajeto, mas o que eu lembrava bem era da dificuldade. Subia, respirava, subia e assim segui. Doía perna, panturrilha, o coração estava na boca, respiração acelerada… e assim ia seguindo. Parava, contemplava a vista, água, puxava o fôlego e avançava mais um pouco. Algumas vezes pensava que não ia conseguir, aí vinha a placa de 3km e eu tinha certeza que não conseguiria, afinal já fazia 1 hora de prova e eu estava no km 3. E assim seguia, passada a passada. Prova de trail é assim, a quilometragem não quer dizer nada, a altimetria que pega forte, o Araça tem o cume em 1675m.
Bem, logo encontrei a Su, que estava indo em um ritmo parecido com o meu, fomos conversando e incentivando uma a outra. Descobri que ela é asmática e que há um ano não tem crise graças à corrida. A família dela toda corre, inclusive o seu filhotinho que fez a prova Kids. Quando chegamos ao cume foi uma alegria, fazia um friozinho e ventava. O cume estava fechado de neblina mas mesmo assim é lindo!
Começamos a decida num atoleiro, ainda mais pra quem fica pro final, pega tudo pisoteado. É prestar atenção onde pisa e soltar a perna. Na descida é que eu me divirto. Segui com a Su um bom tempo. Correndo, se segurando, caindo, levantando.
Quando faltava uns 3 km pro final, decidi soltar ainda mais a descida e fui sozinha. A descida é algo mágico, haja joelho, mas é onde a gente se sente voando. Pulando as pedras, os galhos, escorregando… Logo comecei ouvir o locutor, nesta hora já estava bem cansada. Rezando pra que não tivesse que dar mais uma volta antes de cruzar.
Ai foi correr pro abraço, fechei a prova em 03:12, pra vocês terem uma ideia da diferença de uma prova de asfalto. Fui bem melhor do que eu pensava, mas ficou claro que eu ainda tenho que melhorar muito a minha subida.
Muitas pessoas têm nos perguntado dicas pra começar no Trail. O próximo post será sobre isto. Mas já queremos aproveitar pra divulgar a nossa parceira com a Comandos Brasil que está organizando treinos trail.
Divirtam-se, corram e acima de tudo, respeitem a natureza!
Até o próximo post.







ficou pra frente foi ótemoooo!!! essa é Déia inspiradora!!! amotu sua loka, quero ir nesses treinos trail me chamaaaa!!!