Revezamento do Piraí: corrida para superar adversidades
Ao contrário da Meia de Floripa, da Corrida Ádria Santos e da Night Run Joinville, a prova de Revezamento do Piraí foi uma corrida para superar adversidades: lidar com o frio, com o fato de ter de correr sozinha, em um terreno diferente, ainda tendo de intervalar corrida e caminhada, muito gripada e fazendo um percurso de 8k – que na verdade tinha quase 9k – foi um desafio daqueles… que a gente adora.


Pois é. Desta vez o maridão não estava inscrito e não me acompanhou – ficou lá de staff/guarda-volumes e casacos. Então tive de me contentar a fazer a prova no meu tempo, seguindo as orientações do fisioterapeuta e respeitando os meus limites físicos. Além de todo o meu problema no quadril, que ainda não me deixou voltar aos treinos regulares de corrida, tive de cuidar muito com o terreno – estava com muito medo de virar o pé e piorar uma situação que já não #tátranquila nem tá #favorável. Confesso que passei mais de uma semana com dores nos tornozelos e na canela depois da prova.
Corrida para superar adversidades
Tive de me contentar a ver todo o povo largar na frente – óbvio que eu não queria que me esperassem -, e chegando na frente – não que isso algum dia tenha sido um problema pra mim. É que eu não estava mais acostumada a correr/treinar sozinha.

Regulei o relógio para intervalar 2 minutos de corrida com 2 minutos de caminhada e larguei. Logo nos primeiros metros me vi sozinha naquela paisagem deslumbrante. Nem os fotógrafos – quase nenhum, é verdade – me esperavam chegar para ir embora. Por mim, tudo bem. Era o meu momento de esvaziar a cabeça e perceber o quanto podemos ser felizes com pouco – ou quase nada.
Corrida é terapia – sempre
Acho que já falei para vocês que a corrida é minha terapia, é meu momento de pensar em nada e de – ao mesmo tempo – resolver todos os problemas da vida e acho que até aqueles que nem existem. Talvez por isso o fato de ter corrido sozinha não tenha me afetado psicologicamente desta vez. Talvez por isso esse “afastamento forçado” das corridas tenha mexido tanto comigo. A corrida me proporciona o autoconhecimento.

Antes de chegar ao km4, avistei o povo que havia largado comigo voltando. De um em um passaram todos. Cumprimentei, bati palmas, incentivei. Fui incentivada também. Não demorou para eu chegar ao posto de hidratação/retorno. Peguei dois copinhos de água e voltei. Havia a outra metade do percurso para fazer e, apesar de eu estar cansada e preocupada nas consequências que poderia sofrer, decidi que precisava pensar neste evento como uma corrida para superar adversidades.
Superação. Correndo e caminhando, com pouco mais de 1h12 de prova cruzei a linha de chegada. Realizada, com a mente limpa. Feliz por ter vencido mais uma etapa – desta vez com nível de dificuldade um pouco acima do normal. Tinha valido a pena. Sempre vale.
Depois, quando cheguei na casa da sogra, percebi que meus pés estavam sangrando. Minha unha havia me cortado e sangrado a ponto de manchar o tênis, mancha esta que eu achei que fosse barro. Por sorte, nada grave. Meu pé estava tão congelado que eu não consegui sentir dor.
Migos, seus loucos
Logo que cheguei – a última colocada, ainda consegui bater um papo com o Fabrício – o locutor – e avisar pra ele que eu era a última da prova dos 8k. Batemos um papo e eu agradeci novamente pela força. Esse cara é gente fina demais e mostra a cada prova que gosta de estar lá com a gente. Ele se interessa pelas pessoas, pelos treinos. Ele respeita. Isso é muito legal.
Depois de pegar as frutinhas, hidratação e medalha fui fazer as fotos com os amigos das Mulheres na Pista loucos por corrida que também estavam por lá. A gente faz graça. Corre, cansa, sua e se diverte demais. E no final, é só isso que fica. É só isso que vale.




Pontos positivos do Revezamento do Piraí
– O lugar que escolheram para a prova é lindo. Aliás, a área rural de Joinville é impecável e deveria ser ainda mais valorizada;
– Medalha alusiva ao evento muito bonita;
– Frutas fresquinhas e gostosas;
– Água e isotônico na temperatura ideal;
– Camiseta da prova também muito bonita e que ajudou a aquecer o corpo até um bom pedaço da prova;
– Participação em peso de grupos de corrida da região e de fora;
– O almoço servido aos atletas que participaram do revezamento, fechando com chave de ouro o revezamento de 2016;
– Staff sempre atencioso e incentivando a galera;
– O locutor do evento sempre disponível e disposto a fazer um ótimo trabalho.
Pontos negativos do Revezamento do Piraí
– Não chega bem a ser um ponto negativo, mas eu senti falta de encontrar com o povo que participou da prova do revezamento. Como a nossa largada era às 8h e a deles a partir das 7h, não conseguimos ver a maioria dos nossos amigos que também estavam lá;
– Por ser uma prova com uma proposta diferente das corridas de rua, achei que o número de pessoas/staff cuidando do percurso foi pequeno. Minha preocupação era para o caso de alguém se machucar ou passar mal… fora a possibilidade de cortar caminho… Aliás… isso é uma coisa que a gente sabe que acontece, mas que eu ainda me questiono por que uma pessoa se propõe a fazer isso. Deixa… isso é assunto para outro post.



