Após muito calor e superação, posso gritar ao mundo: sou meia maratonista!

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Medalha no peito, não consigo parar de relembrar cada segundo do domingo, dia 13 de março de 2016, quando eu me tornei uma meia maratonista.

A loucura começou em 2015 ainda quando decidi fazer a prova. Muitos treinos, foco e determinação – contando com a ajuda e apoio de amigos e família, havia chegado finalmente o fim de semana da prova, o que me deixou com a ansiedade a mil.

No sábado antes de finalmente conseguir pegar no sono entendi a expressão “cold feet” quando os americanos queriam falar sobre estar ansioso e com medo. Meus pés estavam realmente gelados e com isso custei a dormir. O descanso não foi dos melhores, sonhei que me atrasava, enfim, uma loucura!

Mas finalmente o relógio despertou, cinco horas da manhã. Levantei, coloquei o café para passar na cafeteira, e leite no micro-ondas – esse para a gata Scarlet. Ainda estava escuro e eu estava curiosa para saber como estaria o tempo.

Fui tomar um banho para ajudar a acordar, tomei café e coloquei o uniforme para a prova – a nova camiseta das Mulheres na Pista regata branca foi a escolhida. Prendi o número de peito, coloquei a polaina de compressão, meia, tênis e o chip. Não queria deixar para fazer nada na hora da prova, queria fazer tudo antes para ver se a ansiedade diminuía.

Enquanto isso, fui acompanhando no grupo das Mulheres na Pista no whats o povo acordando e dando noticias. O dia foi clareando e eu vi que estava nublado e fresco, que delícia – eu pensei – era o clima perfeito para minha estreia nos 21km.

Tudo pronto, feito, preparado, era 6h15 quando peguei o carro em direção ao Centreventos Cau Hansen – local da largada. No caminho tentei manter a calma, mas começou a tocar uma música da Alicia Keys, Empire State of Mind, lembrei que ela participou da Maratona de Nova Iorque e prestar a atenção na letra e foi impossível não me emocionar. Parei o carro no estacionamento, e cantando as lagrimas caiam, enquanto eu ficava mais um tempo sentada dentro do carro. Só saí quando a música acabou. Limpei o rosto e conferi se não faltava nada. E fui.

No caminho já encontrava outros loucos como eu e meus amigos. Fui direto para barraca da CBS Running onde os meus amigos da assessoria de corrida estavam concentrados. Todos me desejaram boa prova, outros como eu também iriam enfrentar pela primeira vez uma meia maratona, outros já estavam familiarizados com essa distância, outros ainda fariam 5 ou 10 km e outros ainda foram lá para apoiar os colegas, como os meus amados July e Junior, do Desafio Running e o Simão.

Ainda procurava o pessoal das Mulheres na Pista e só encontrei a Celma Dutka, a outra doidinha que resolveu enfrentar 21km pela primeira vez na Meia Maratona de Joinville. Nos abraçamos – falamos da ansiedade que estávamos sentindo, as duas choraram.. rsrsrs. E desejamos uma a outra boa prova.

E deu sete horas, contagem regressiva e lá fomos nós para o desafio das nossas vidas – da minha pelo menos. Aplicativos ligados, Ipod também, lá fui eu. O clima agradável favoreceu o início da prova, eu tentava não pensar em quanto faltava, mas a ansiedade não baixava e o coração ficava acelerado além da conta.

Entre o km 4 e 5 passei pela casa de uma amiga – a Iohana. Ela e a mãe dela levantaram cedo da cama e estavam me esperando! Quase chorei de novo quando vi as duas vibrando com a minha passagem! Lindo demais!!!

Consegui segurar o ritmo até o km 7, quando tomei meu primeiro carboidrato em gel, e caminhei um pouco enquanto tomava água. Meu pace estava muito bom, entre 6 e 6:30.

Nessa hora muitas pessoas passavam por mim, conhecidos inclusive como o casal Glauciléia e Jonatan, dois lindos que eu sempre encontro em provas – eles também enfrentaram o treino de São Silvestre do dia 31 de dezembro.

Em muitas partes do percurso era também acompanhada pelo amigo Simão, que também é aluno da CBS Running como eu. Ele seguia de bicicleta apoiando e registrando o percurso. Além dele o professor Cristiano Berezoski também acompanhou os alunos, ajudando com água e palavras de incentivo e dicas de como seguir na prova – juro, gente, que isso faz muita diferença!

O amigo e leitor Rodrigo Dacol também estava em várias partes do percurso registrando a prova, a gente compartilhou na fanpage das Mulheres na Pista as fotos lindas que eles fez!

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Seguimos para o bairro Boa Vista, o sol começava a ficar mais forte e eu percebi que o dia fresco e nublado que eu tanto agradeci estava indo embora. Os pontos de hidratação de 3 em 3 km pareciam cada vez mais distantes, era o sol começando a desgastar os atletas. Tentava seguir sem me preocupar com a posição em que estava, apenas com o tempo.

Tive que caminhar em muitos pontos pois sentia meu coração acelerado, não sei se era uma mistura de ansiedade com nervosismo, acho até que o resfriado que estava tentando me pegar atrapalhou nessa hora, mas desistir nem passou pela minha cabeça.

No caminho minha sogra, dona Elza, também havia saído cedo da cama para torcer por mim! Coisa mais linda!

Antes do percurso fazer a volta próximo à academia da Tupy mais pessoas passavam por mim, mas no retorno pude ver que ainda haviam pessoas atrás de mim.

E lá veio a volta, a primeira metade da prova já havia passado, passei pela sogra novamente que ainda registrou minha passagem e logo depois vi um carro da polícia auxiliando duas ou três corredoras. Não vi bem o que aconteceu, mas sabia que o sol estava sendo mais pesado que o normal.

Na volta à rua Aubé um simpático agente de trânsito me ofereceu água, gelada, aceitei, para tomar e refrescar a cabeça. Sabia que estava indo para os últimos quilômetros da prova e toda ajuda era bem-vinda. E confesso, foi essa a parte mais desgastante da prova!

Passamos pela avenida Herman Lepper, as árvores nos forneceram os últimos momentos de sobra do percurso. Quando retornei para a Beira Rio não havia pontos de sombra, o sol já das 9 horas castigava. A partir daí tive escolta personalizada, hora pelo Cristiano e o Simão, e depois a Pati com a bicicleta do Simão, o Rogério e mais pra frente o marido também apareceu – que lindo!!

Passei pelos amigos das Mulheres na Pista que não havia encontrado antes da largada e eles gritaram para mim. Na barraca da CBS Running mais gritos de incentivo. Fiquei toda arrepiada, confesso, foi difícil segurar a emoção.

Essa parte foi a mais difícil, pareciam os quilômetros mais longos da minha vida! O Cristiano foi ao meu lado falando que eu estava indo bem para a estreia, o que ajudou muito! Passei também pela Mãe na Pista, a Deia Zoboli que também deu seu apoio, ela já estava indo em direção à linha de chegada.

Também passei por um homem caído no chão com cãibras, aquilo me assustou muito! Mas logo ele foi socorrido e segui meu caminho.

Finalmente os últimos quilômetros da prova, agora era só seguir reto toda a vida, mas cadê as forças? Mesmo com todo o incentivo chega uma hora que o corpo reclamava demais do calor, o vento contra zunia nos meus ouvidos pois a música havia acabado no momento em que tocava a minha preferida – I am Titanium.

Mas logo veio a cavalaria, meus amigos vieram ao meu encontro, fariam os últimos metros ao meu lado – Carolina, Derlayne, Edna, Shica, Deia, Marciano, além da minha escolta em duas rodas. Não sei de onde surgiram forças para dar ainda um Sprint final – claro que bem mais devagar do que o de costume já que as pernas não respondiam mais como deveriam. Foi novamente um momento de muita emoção! Até a linha de chegada!

Berrei, quase chorei, mas acabou! Podem chamar de teimosia, loucura, sei lá, mas consegui eu sou uma meia maratonista!!

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E ainda tive o privilégio de encontrar o amigo Mauro Fanha que estava fazendo fotos da prova na linha de chegada!

Encontrei o povo que me abraçou, pulamos, festejamos, dei até entrevista para o jornal Notícias do Dia de Joinville! Que emoção!

Depois disso a Deia me deu o braço e fomos, bem devagar, até a área das medalhas, só queria pegar a minha… rsrsrs. Também peguei água, água de coco e isotônico. Ela me contou que havia ganho troféu na categoria – é uma guerreira!

Mais festa, celebração, fiz o alongamento e depois fui para casa, com aquela medalha pesada no peito, ainda relembrando cada segundo de prova. Quanta emoção, quantas boas lembranças, quanta superação. Nunca imaginei que fosse conseguir um feito desse, mas taí, eu sou uma das 537 pessoas que completaram a prova (segundo a organização haviam 615 inscritos nessa distância)!

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Quero agradecer cada palavra, cada gesto de apoio antes, durante e depois da prova, aos amigos que treinaram comigo, o Mauro, Derlayne, Cintia, Denize, Shica, Celma, Marcio, Rafter, Deia, todo o povo das Mulheres na Pista! Aos amigos da CBS Running, July e Pati, Junior, Xando e Xanda, Nadia, Iris, João, Lenita, Ivana, Debora, Fabi – que estava participando de uma prova de ciclismo – ao professor Cristiano que foi fundamental nessa conquista, com suas aulas, treinos, orientação, apoio durante a prova. Ao maridão Antonio pelo apoio de sempre <3, à Carol, pela amizade, apoio (sei que devia ter esperado pra gente estrear juntas, mas você sabe mais ainda que teu apoio pra me dizer “vai”, ou pra me pedir calma, são essenciais para que eu ame tanto corrida e esse grupo lindo que criamos juntas!), ao Gerson marido dela também. Ao Marciano corredor, que sempre apoia nossas loucuras, ao Cezar, dos Madrugadeiros, a todos, de verdade, sei que vou esquecer algum nome, mas lembro de cada rosto, de cada palavra e isso foi fundamental, muito obrigada!!

Fernanda Lüttke

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