Leitora na Pista: Juliana Ourique, de Jundiaí (SP)
Por Carolina Spricigo
Eu e Fernanda já contamos para vocês que temos a meta de correr uma prova de 10k até o fim do ano – e temos treinado bastante. Por isso, quando a nossa leitora Juliana Ourique nos mandou a história dela, que estreou nos 10k na Track&Field Run Series Paineiras Shopping – Jundiaí (SP), no último dia 17 de maio, ficamos felizes e já começamos a imaginar como será quando chegar a nossa vez de enfrentar este desafio. O texto é emocionante e me fez lacrimejar em vários momentos.
Sobre a corrida e a felicidade de estrear nos 10k
Por Juliana Ourique
Arquiteta, 30 anos, casada com Uly Perin, moradora de Jundiaí (SP)
Fotos: Arquivo pessoal, Foco Radical e De Olho no Atleta
Para falar sobre a corrida que participei no último dia 17 de maio, preciso voltar um pouquinho no tempo e explicar algumas escolhas. Comecei a correr no ano passado, meio a contragosto, com mais duas amigas. Corríamos duas vezes por semana intercalando corrida e caminhada (para cada 2 minutos de corrida, 1 de caminhada e aumentando gradativamente). Até que decidimos começar a correr direto.
Em novembro, uma amiga do trabalho me falou sobre a WRun, que é uma prova só de mulheres e em São Paulo aconteceria no dia 8 de março (bem lindo mesmo, no Dia Internacional da Mulher!). Naquela época, já estávamos correndo 4k direto e continuávamos correndo mais 4k em intervalos de 4 minutos de corrida e 1 minuto de caminhada.
A decisão de escolher a opção do percurso de 8k foi fácil, pois teríamos tempo para treinar e já estávamos correndo 4k (que era a outra opção de percurso), portanto a corrida não seria um desafio. A verdade é que o fim do ano chegou, e com ele as festas, as férias, as reuniões de família com comilanças e a disciplina do treino desandou bastante. Mas nós não desanimamos e recuperamos o ritmo, conseguindo completar os 8k em 56 minutos, um tempo muito bom para uma primeira experiência.
Confesso que o clima da corrida ajudou muito. O fato de ser só de mulheres, o Dia da Mulher, o clima, a quantidade de gente que estava lá, o lugar (o Jóquei Clube de São Paulo), tudo isso ajudou!
Logo depois dessa prova, diminuímos um pouco o ritmo da corrida novamente. Uma das amigas torceu o pé e a outra desanimou, mas eu busquei manter a frequência na academia e fazer uns “hits” (treino intercalando caminhada e duas velocidades de corrida) na esteira. Mas não é a mesma coisa! Correr na rua é correr na rua! Aliás, eu digo que só comecei a gostar de correr depois que comecei a correr na rua.
Quando soube desta corrida na minha cidade fiquei super feliz, porque além de não ter que acordar tão cedo pra chegar (na WRun acordamos às 4h da manhã, nesta em Jundiaí, acordei as 6h15!), seria exatamente na avenida em que nós treinamos.
Novamente, na hora de fazer a inscrição havia duas opções: 5k e 10k e, mais uma vez, me vi tentada a fazer o percurso maior, pensando no desafio. “Se eu já corri 8k, por que não tentar a prova de 10k?” Mesmo achando que 10k seria um exagero, me inscrevi e retomei os treinos. De novo não treinei tanto quanto gostaria. Por diversos motivos a corrida começou a ficar em segundo plano e eu quase desisti.
Até a sexta-feira antes da prova eu não tinha certeza se participaria. Quando minha nova parceira de corrida disse que suas antigas dores no joelho voltaram e estavam insuportáveis e que ela não conseguiria participar nem para fazer o percurso caminhando eu pensei muito em não ir. Mas correr é tão gostoso e participar destes eventos é tão inspirador que pensei melhor e resolvi ir com a pretensão de correr até onde aguentasse e caminhar o resto do percurso. Sem pressão, sem demérito, sem sofrimento, mas com desafio! Queria muito me superar e ter aquela sensação gostosa pós-corrida de “consegui”!
No dia da prova acordei um pouco ansiosa, botei minha roupa, tomei um chá de ginseng, comi um pouco de granola e fui pra avenida. Sozinha e sem conhecer ninguém que ia participar, peguei meu chip, me alonguei bastante, dei uns pulinhos pra espantar o frio e comecei a entrar no clima. O percurso era de 5k e quem fizesse 10k daria duas voltas. Fiz um cálculo mental de que poderia correr até os 5k e depois disso terminaria o percurso caminhando.
Minha meta era só não desistir. Comecei a correr e cheguei em um ritmo bom. Quando você corre com frequência e começa a conhecer o seu corpo, você consegue chegar em um ritmo que a respiração combina com as passadas e o corpo demora mais a cansar. O importante pra isso é testar ritmos diferentes nos treinos e ter um bom aplicativo para ajudar a monitorar tempo, percurso e o seu pace.
Voltando à prova, entre os quilômetros 3 e 4 havia uma inclinação bem suave, mas suficiente para acelerar os batimentos e exigir mais do fôlego. Nessa hora, eu penei muito… sofri mesmo. Pensei sinceramente em parar nos 5k e jogar a toalha. Minha respiração estava superofegante e uma moça se aproximou de mim perguntando “você vai até os 10k?”. Eu respirei fundo e disse “Não, vou parar aqui nos 5k mesmo. Vou desistir!”. Ela chamou o marido e disse: “Ah, não vai não! Não desiste, vai até onde aguenta, mas não desiste! Amor, dá uma empurradinha nela aí!!”.
Eu ri muito, porque eles praticamente me puxaram pra frente e eu prometi que ia correr até onde aguentasse, mas não ia desistir. Esses incentivos durante a corrida são o máximo, fazem toda a diferença quando a gente está desanimando. Pra mim, foi o que mudou a minha prova. Eu não só corri sem parar até o sexto quilômetro, como fui intercalando corrida e caminhada até o fim da prova e consegui completar os 10k em 1h09m58s. Fiquei muito feliz, porque mesmo caminhando uns trechos, meu pace médio foi 6:55, o que significa que eu completei cada quilômetro em menos de 7 minutos. Fiz questão de correr o último quilômetro inteiro, pensando na foto da chegada, porque saber que falta só um quilômetro é mágico, dá um gás, um ânimo indescritível!
Assim que cruzei a linha de chegada, passaram mil coisas na minha cabeça: tudo que eu tinha passado de estresse nas últimas semanas, o quanto eu devia ter treinado mais, a adrenalina, o cansaço e a sensação de dever cumprido. Nessa hora, precisava tirar o chip do tênis para entregar aos organizadores e sentei no chão em prantos. Chorei tanto, que um dos caras da organização veio perguntar se estava tudo bem. Ali, sentada, cansada e sorrindo, só o que consegui dizer foi “É que eu tô muito feliz!”.

E eu acho que é isso que resume bem a corrida pra mim: felicidade! Por alguns minutos eu só penso nas passadas, no fôlego, na respiração e no ritmo. Todo o resto some da cabeça! É incrível! E a sensação de alívio e felicidade no fim do treino ou da corrida é inexplicável!
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