Leitor na Pista: Dejair Machado, de Santa Cruz do Sul (RS)

No fim de 2015 você fez muitos planos e entre eles estavam começar a correr e finalmente emagrecer aqueles quilinhos extras? E agora o ano começou e você ainda não se dedicou como deveria e está se sentindo culpado? Calma, pois ainda estamos no início de janeiro. Não é preciso desesperar, mas não se pode deixar o tempo passar. Daqui a pouco estamos em dezembro de novo…

Aqui no Mulheres na Pista gostamos de publicar histórias de pessoas que superaram todos os tipos de problemas para buscar uma vida mais saudável. E o primeiro Leitor na Pista de 2016 é mais uma mostra de que quando a gente quer, a gente consegue. Dejair Machado, jornalista morador de Santa Cruz no Sul (RS), conta como conseguiu, ao se tornar um corredor, se alimentar melhor, evitar doenças ocasionadas pelo excesso de peso, perder 32 quilos, e, de quebra, ainda incentivar a namorada, Verushka Goldschmidt Xavier, a se aventurar pelas ruas da cidade gaúcha.

Confiram abaixo o relato deste grande cara que mostra que quem tem força de vontade é capaz de qualquer coisa. Obrigada, Dejair, pela confiança. Por contar a sua história para os nossos leitores.

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Foto: Rodrigo Assmann

Passadas da superação
Dejair Machado, 34 anos,
Jornalista e estudante de Direito, morador de Santa Cruz do Sul (RS)
Sempre fui avesso a qualquer tipo de esporte. Nos tempos de escola, era o último a ser escolhido para os jogos de futebol. Atrapalhado, não conseguia dar um chute na bola sem perder o equilíbrio. Na prova dos 100 metros, era premiado por levar o maior tempo. Definitivamente, era um zero à esquerda em educação física.
Cresci achando que esporte era para os outros, algo impossível para mim. Perdi as contas de quantas vezes me matriculei na academia, fiz pacotes semestrais e no segundo mês já havia desistido de ir. Qualquer convite para um churrasco era mais do que suficiente para deixar os halteres e a esteira de lado. Com tendência para ganhar peso desde sempre, vi os quilos se acumularem, a calça ficar mais justa e os botões da camisa quase saltarem. Mas não foram só as roupas que deram sinal. O corpo também disse que estava na hora de mudar, até que um dia não teve jeito.
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Numa consulta para tratar um zumbido no ouvido, decidi pedir ao médico um exame de sangue. Era final de 2013, vieram Natal, Ano-Novo e férias. Em março, com o resultado nas mãos, o susto. O índice de glicose era o dobro do máximo para uma pessoa na minha idade. O colesterol também estava nas alturas. Fui para a internet, pesquisei tudo o que podia e vi que não havia outra alternativa. Da consulta com um endocrinologista, saí com puxões de orelha e muitas recomendações: cortar doce (o risco de diabetes era altíssimo), se mexer mais e mudar a dieta. Disse ele: “Estás jovem demais para tomar remédio. Vamos fazer um acordo. Ao invés de tomar um comprimido para a glicose ou colesterol, vais ampliar tuas caminhadas, cortar os doces, refrigerantes, frituras e alimentos gordurosos”.
Com 114 kg, o desafio era emagrecer no mínimo 27 kg. Um aspecto positivo eu tinha a meu favor. Sempre fui adepto das caminhadas. Mas e o que iria comer?! Como todos que devem começar uma dieta fui ao supermercado. Enchi o carrinho de coisas light, diet, cookies disso e daquilo, cereal, proteína de soja, frutas, verduras…Tudo parecia ter gosto estranho, mas sabia que eram alimentos que iriam me ajudar.

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Ok, vou descobrir novos sabores, pensei. Já sabia que chocolate era gostoso, que cerveja dava ressaca e que pizza é bom demais… Resolvida a questão alimentar, foi a hora de sair da inércia. As caminhadas se tornaram mais frequentes, as idas à academia passaram a ser obrigatórias e à medida em que tudo acontecia, o peso ia diminuindo e a motivação, na mesma proporção aumentando.
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Um dia, numa rua deserta, arrisquei as primeiras passadas. Não corri 200 metros. Cansado, com dores em todo o corpo e quase sem respirar, só queria chegar em casa e encontrar meu sofá. Com vergonha dos movimentos desengonçados, só corria quando não tinha ninguém na rua. Demorei, mas aprendi que não deveria ficar constrangido por estar cuidando da minha saúde. Então veio o desafio. Com incentivo da namorada, decidi participar de uma rústica ao longo de 2014.
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A namorada de Dejair, Verushka Goldschmidt Xavier, também está se tornando uma corredora
Mais magro, encarei, junto dela, os três quilômetros. Com a língua de fora, cruzei a linha de chegada e senti o peso da primeira medalha no pescoço. Quase faltam palavras para descrever a emoção daquele momento, que prefiro chamar de superação. O que eu não imaginava era que iria gostar tanto daquela adrenalina.
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Vieram mais cinco corridas em rústicas e centenas de quilômetros. No inverno, quando o frio poderia ser um bom motivo para ficar em casa, o intervalo do almoço se transformou em horário de treino. Dois ou três quilômetros pelas ruas eram suficientes para deixar o corpo aquecido e mandar um pouco mais de gordura embora. Os exercícios do treino funcional com a orientação personalizada foram fundamentais para dar resistência ao corpo e mente.
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Ganhei velocidade, disposição para o trabalho e estudos e de quebra descobri um mundo novo. Passei a frequentar lojas de produtos naturais, costureiras e vi o corpo e o guarda-roupas mudando. Ah, e nos exames periódicos, vi colesterol e glicose voltarem às taxas adequadas. Nas lojas, quando dizia que não sabia mais o número da calça que usava depois de emagrecer 20 quilos sem qualquer tipo de medicamento, inevitavelmente o vendedor perguntava se havia feito redução de estômago. Diante de tudo isso, agora 32 quilos mais magro, entendi as proporções da mudança. E, naturalmente, percebi que correr e praticar atividades físicas fazem bem, sempre. E acima de tudo, que mudar é possível, basta querer.

Carolina Spricigo

Jornalista, assessora de imprensa, gestora de marketing digital, gestora de conteúdo, blogueira do Mulheres na Pista, corredora e mãe do Bernardo. Feliz.

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