1ª Corrida Chão da Cidade: evento para entrar no calendário de Floripa
Aniversário de Floripa é feriado na cidade e dia de curtir as belezas da Ilha – ainda mais quando o dia amanhece ensolarado -, certo? Certo, mas não sem antes acordar cedinho para correr pelas ruas do Centro Histórico da capital catarinense. Foi o que ocorreu na última sexta-feira, 23 de março, quando celebramos os 345 anos da Ilha da Magia na 1ª Corrida Chão da Cidade, que reuniu quase 400 atletas para correr 10k (individual ou em revezamento – masculino, feminino e misto) ou 3k caminhar.
Prova boa e diferente de todas as outras que normalmente são realizadas aqui, chegou para – definitivamente – entrar para o calendário de provas de Floripa. Explorar o sempre tão movimentado Centro Histórico da cidade antes de o comércio abrir (sim, porque algumas lojas funcionaram no feriado!) nos faz sentir que essa Ilha realmente é nossa – corri so-zi-nha pelo calçadão da Felipe Schmidt, imaginem! – e o quanto precisamos cuidar bem dela. Sim, porque é triste ver lixo espalhado pelas ruas, pessoas dormindo nas praças e nas escadas das lojas, e um cheiro que é uma mistura de esgoto com urina, além de calçadas esburacadas e desniveladas e alguns buracos nas ruas. Floripa é muito mais do que isso e merece mais atenção.
Mas voltando à prova: percurso cheio de desafios, subidas e algumas descidas, que passou por pontos lindíssimos que fazem a fama da aniversariante, como a Avenida Hercílio Luz, a rua Felipe Schimdt, a praça XV de Novembro, o Parque da Luz (que tem uma vista inacreditável para a estrutura da nossa querida Ponte Hercílio Luz, além do Mercado Público. A concentração e a largada no Largo da Alfândega – um local com tantas histórias para contar – também merece seus elogios.
Minha estreia nas provas de revezamento
Como não havia a opção de correr 5k individual, porque não estou treinando para tanto (10k) e porque o médico não me liberaria fazer uma distância dessas neste momento por causa da minha lesão labral, optei por chamar a minha amiga e colega de treinos diários Jana Hoffmann para participar comigo desta prova. Ela topou, mas pediu para largar por primeiro, porque tinha um compromisso logo em seguida. Aceitei, claro. Quem é que quer perder uma corrida? Eu nunca!
Na quinta-feira, dia anterior à prova, depois de levar o meu pequeno Bernardo para participar da primeira corrida dele (a 2ª Corrida de Bebês, promovida pelo Floripa Shopping – depois vou escrever sobre isso), fomos até a loja Capitão Malagueta, no Beiramar Shopping, retirar os nossos kits. Pessoal simpático, querido, interessado e fazendo de tudo para nos sentirmos bem por lá. Daquela loja, inclusive, havia cinco pessoas inscritas na prova – fiquei tão orgulhosa!!
Chegando em casa, combinei com a Jana de irmos juntas para o local da prova. Também coloquei para descongelar um saquinho de leite materno para que o Gerson aquecesse e desse mamadeira para o pequeno de manhã – desta vez deixei os dois dormindo em casa. Acordei às 5h15, amamentei o Bernardo e me arrumei para sair. Tínhamos de chegar muito cedo para retirar o chip – ele seria entregue das 6h às 6h45.
Depois de colocar o chip no tênis, fomos encontrar os amigos que estavam por lá e colocar o papo em dia. Encontrei, inclusive, a Ana Beatriz, moça querida, aluna da Just Run, que correu comigo a Beach Run da prova Rei e Rainha do Mar no domingo anterior.


Depois – ou não necessariamente na mesma ordem – colocamos nossas coisas no guarda-volumes e começamos a aquecer para a largada. A buzina de largada soou às 7h15 (15 minutos de atraso) e a Jana partiu. Enquanto ela corria, eu fiquei conversando com algumas pessoas e aplaudindo os atletas que passavam para a segunda volta dos 10k e os que vinham passar o bastão para os companheiros de prova.

Eram quase 8 horas quando recebi o bastão das mãos da Jana. Partiu correr. E que corrida. O sol estava a pino e o calor insuportável. Fui correndo de boa até a subida da rua Emílio Blum. Daí tive de caminhar. Ou isso ou não teria fôlego – acho. Quando estava quase chegando lá na praça dos Bombeiros, voltei a correr e assim segui até começar a subir a Felipe Schmidt – essa subida era ainda mais inclinada e mais chatinha. Mas a vista no fim era compensadora: a estrutura da ponte e o mirante da Praça da Luz. Que lugar, gente!

Depois disso já estava no km4, era correr para o pórtico de chegada aproveitando cada momento. Hora de sorrir para os pedestres que passavam por mim na rua e me mandavam aquela força, e de agradecer aos guardas municipais e staffs que cuidaram tão bem da nossa segurança. Antes de chegar à última curva vi a Jana me esperando. Corremos juntas até a chegada, fechando com chave de ouro essa parceria que havia acabado de começar. Passamos o portal de chegada de mãos dadas e nos abraçamos, porque só nós sabemos o quanto é difícil acordar cedão todos os dias para recomeçar a correr. Enfim, minha estreia no revezamento foi incrível e a primeira de muitas.
Resultados da 1ª Corrida Chão da Cidade
O desempenho dos atletas está disponível neste link.
Vídeo pós-prova
O que foi bom na prova
Opinião minha:
– Adorei a proposta de criar uma corrida para fazer parte das comemorações do aniversário da cidade. Certamente no ano que vem teremos ainda mais participantes;
– Muito boa a iniciativa do Núcleo de Assessorias Esportivas da Acif de promover o evento e muito legal a cumplicidade e o compromisso de todos – tanto na entrega dos kits quanto no dia da prova;
– Entrega de kits em dois dias;
– Percurso bonito, diferente e desafiador;
– Camiseta superbonita;
– Medalha linda;

– Troféus tipicamente manezinhos (a parte de trás do troféu tinha as inscrições: “Ézum monshtru, ô”, “Arrombacish”, “Dazum banhu, ô!”, “Segue reto toda vida. Nontêm, ô?” e “Mo quiridu”);

– Staffs e guardas municipais supersimpáticos e dando aquela força aos atletas;
– A largada cedo evitou que os atletas pegassem ainda mais sol no percurso;
– Dois postos de hidratação ao longo da prova com água geladinha;
– Frutas fresquinhas e lanchinhos pós-prova enviados pelos patrocinadores/parceiros;
– Massagem pós-prova aos atletas.
O que pode melhorar
Logicamente que esta é uma percepção minha, levando em consideração a minha experiência como corredora, como jornalista e como blogueira de corridas:
– A Corrida Chão da Cidade tem potencial para se tornar um marco no calendário de Floripa e fazer parte das comemorações de aniversário da Capital, mas precisa ser mais bem divulgada – tanto nas assessorias esportivas quanto na imprensa. Não há evento de sucesso sem divulgação. É preciso fazer um planejamento de envios (abertura de inscrições, novidades da edição, viradas de lotes, encerramento de inscrição, promoção para grupos e assessorias, entrega de kits e texto pós-prova). Se a ideia é trazer corredores para o evento, reportagens pós-prova ou no dia da corrida não devem ser prioridade;
– A possibilidade de o atleta fazer 5k individual também fez falta na Corrida Chão da Cidade. Nem todo mundo tem uma dupla para fazer o revezamento (que é uma ideia muito legal, como falei lá em cima), e 10k é um percurso muito longo para quem não treina para tanto;
– Também poderiam criar as disputas kids, já para incentivar os pequenos que acompanham os pais a gostar do esporte;
– As inscrições foram encerradas oficialmente quatro dias antes da prova, mas até o fim da entrega de kits era possível garantir a participação na prova, indo até a loja Capitão Malagueta. Ficou confuso;
– Gostei da proposta de fazer o evento no dia do aniversário da cidade, mas é preciso pensar que isso limita a participação aos moradores de Floripa (e ainda os que não trabalham no feriado, porque tem gente que mora em Florianópolis, mas trabalha ou estuda em Palhoça ou São José, por exemplo, onde não é feriado neste dia). Talvez pensar em agendar o evento para o primeiro fim de semana pós-aniversário seja uma boa ideia – apesar de que aí a prova irá concorrer com outras corridas. É de se refletir sobre;
– O local da realização da Corrida Chão da Cidade não poderia ser melhor: o Largo da Alfândega é lindo, mas um pouco mais de cuidado (até por se tratar da história de Floripa) não faria mal. O palco onde ocorreu a premiação cheirava a xixi, o que tornou a permanência praticamente insuportável.
– Chip retornável é incômodo: faz as pessoas chegarem muito mais cedo do que o necessário. É uma tecnologia que já está em desuso nas provas. E receber aquela mensagem por SMS logo após a prova nos faz um bem danado;
– Pontualidade na hora da largada: atrasar 10 minutos já faz uma diferença bem grande para quem precisa correr no sol no fim de verão/início do outono de Floripa. No caso da prova, atrasou 15.
– As placas de marcação de km durante a prova poderiam ser maiores e estar mais bem posicionadas – eu juro que só vi a dos 4k, mas teve gente que viu a de 2k também. É legal para os atletas o quanto já percorreram;
– Por ser um dia de festa, o evento deveria ser mais bem animado/narrado. O narrador poderia estar mais feliz, aparecer mais e festejar com os corredores – o fato de não ter o nome dos atletas no número de peito também fez com que fôssemos só mais um a cruzar a linha de chegada;
– Faltou música para animar o povo que ficou esperando os corredores para o revezamento e mesmo para o público que prestigiou o evento;
– A distribuição de brindes pós-prova sempre é um problema: por falta de educação de alguns corredores, a entrega dos mimos dos patrocinadores deve ser controlada, na minha opinião. Quando cheguei da minha prova não havia mais os produtos da Banana Brasil, por exemplo. Quem patrocina um evento quer que seu produto seja apreciado por todos os atletas e não apenas pelos que chegam primeiro, correto?





Olá, sabe me informar onde vejo os resultados dessa prova? Meu marido participou, porém até hoje não localizamos os resultados. Aparentemente o link indicado mostra apenas os primeiros lugares. Grata desde já pela atenção!
Olá, bom dia! Também procuramos o resultado mas só encontramos esse que divulgamos em nosso post. Abraços