Não me convidem para a São Silvestre: relato de uma decepção
Passados mais de 30 dias, agora que consegui sentar para colocar “no papel” o meu relato. Mas já aviso: não me convidem para a São Silvestre, porque eu não vou. Explico: nunca na minha história com as corridas me senti tão desrespeitada quanto na 92ª Corrida Internacional de São Silvestre, realizada no dia 31 de dezembro, o último dia de 2016.
Nunca em uma prova eu vi faltar água para os atletas. Nunca em uma prova eu vi tanto staff mal-informado e sem vontade de ajudar. Nunca passei tanto calor em uma prova. E nunca, nunca mesmo, suei sal. Mais do que isso: nunca numa prova eu vi amigos e outros participantes parando em postos de gasolina e/ou comprando água de ambulantes para poder matar um pouco da sede que arrebatava o povo. Devo ter tido um princípio de desidratação. Passei muito mal.
Não me convidem para a São Silvestre
O fato é que a prova foi uma decepção. Nada perto do que eu imaginava ou esperava. Planejamos a nossa ida (11 pessoas – 10 corredores, um acompanhante) com mais de um ano de antecedência. Aí em maio compramos passagens aéreas e reservamos o hotel. A inscrição foi feita no dia em que foi anunciada a abertura aos atletas, em julho, se não me engano.
Apesar de sempre achar o horário da largada tarde (9 horas), concordei em participar. Pela festa. Seria lindo correr a prova mais tradicional do Brasil acompanhada dos amigos. Além do mais, todo corredor um dia já pensou em participar deste megaevento. E sabe… planejando direitinho, dá!
Mas assim… não gostei do kit. Apesar de a camiseta ser de qualidade, a cor era meio sem graça. O kit tinha um pacote de café, um número de peito, um chip descartável, um gel e só. Teve gente (quem pegou o kit nos dias anteriores) que relatou que entregaram atum vencido (oi??). Depois de muito reclamarem, os produtos foram retirados dos kits e não mais entregues.
Um elogio: a medalha da prova era linda. Das mais lindas que eu ganhei. Mas pelo preço do kit (R$ 160) foi cara demais.
Outro elogio: o pessoal do staff da entrega de kit era um amor. Adorei todos. Uma pena que não eram os mesmos que estavam no dia da prova… ou eles trocaram de espírito…
Nunca vi ter de largar uma prova com uma garrafinha de água na mão. Inclusive fizemos isso porque outras pessoas que participaram em anos anteriores avisaram que precisava fazer isso. A água que estava gelada, foi esquentando conforme corríamos (impacto e contato com a mão, sei lá) e cada vez havia menos água nos pontos de hidratação.
Depois da chegada, caminhar quase um quilômetro debaixo do sol escaldante para pegar a medalha e, pasmem, uma barra de cereais e um torrone de amendoim. Frutas? Isotônico? Água? Servem isso no pós-prova? Na São Silvestre, não!
E olhem que eu estava entre os 6 mil primeiros colocados, hein? Tenho muita pena de quem chegou lá no finalzinho. Juro.
Ah! Por falar em fim de prova, outra decepção: dos 10 participantes do nosso grupo, três não conseguiram saber qual foi o tempo deles (isso dá 30% dos inscritos). Porque o chip apenas não registrou o tempo. E fim.
De toda essa falta de respeito, destaco os aprendizados
– Numa prova dessas, é cada um por si e deus por todos. Se você pensa em ir, cara, vai. Mas vai prevenido. Eu até sugiro ir com aquelas mochilinhas que os ultramaratonistas usam, sabe? Porque gente, é muita sede. Bendito Rosimar e bendita Fernanda que ficaram do meu lado para me ajudar nessas horas.
– Precisamos valorizar ainda mais os eventos do nosso estado e das nossas cidades. Com raras exceções, temos excelentes provas, por valores bem mais acessíveis – e que respeitam os atletas. Merecem nosso respeito e participação.
Concluindo…
Nunca depois de uma prova ouvi que a culpa por faltar água foi dos pipocas. Eles podem até ter atrapalhado e bebido alguma água dos atletas, mas a culpa não foi somente deles. A questão dos pipocas também precisa ser discutida, obviamente. Mas organização que não se responsabiliza pelos seus atletas e pelos seus eventos não merece a minha presença. Por isso… não me convide.
E foi assim que a tão esperada, a grande Corrida Internacional de São Silvestre 2016, evento para mais de 30 mil pessoas, se mostrou para mim apenas mais uma prova – daquelas que não vale a pena repetir a dose. Apenas não me convidem.





Alguns pontos do blog fazem sentido, outros não.
Na minha opinião, quando estamos dispostos a correr uma prova (sobretudo de 15 Km) não devemos nos preocupar muito com a cor da camisa, com os produtos do kit ou se vai ser uma banana ou um torrone no fim da prova.
Pra mim, tudo isso é passageiro demais. Poder se superar correndo 15 Km no fim do ano, comemorando tudo o que vivemos, tudo o que passamos e, sobretudo, ao lado de pessoas que maravilhosas (fica a dica Thais e Ivan). Isso supera qualquer atum vencido que o primo do tio da namorada do meu irmão falou que veio em um dos kits
Pra mim foi demais. E eu correria muitas outras
Cantar “vamo chapê” descendo o túnel da Paulista e sentir a vibração que o esporte nos traz. É impagável! Foi demais
Só um comentário: não ache que todas as provas realizadas no estado de SP são assim. Na verdade, apenas as organizadas pela Yescom às vezes apresentam esse problema. Eu sou de SP e nunca passei por nada parecido com o que passamos na SS de 2016. Mas o julgamento é injusto principalmente com a Ativo que sempre realiza provas de qualidade e com um staff fantástico.
Oi Pri, tudo bem? Essa não é a primeira prova que participamos em SP. A WRun, para onde fomos em 2011/2012, é uma prova linda, que foi inesquecível pela organização e tudo o mais. Pode deixar que esse relato vale só para a São Silvestre em 2016. Beijos e obrigada por acompanhar o blog. Fernanda