Meia Maratona de Pomerode, onde o coração foi mais forte que as pernas, por Deia Zoboli

Meia Maratona de Pomerode, onde o coração foi mais forte que as pernas, por Deia Zoboli


No dia 06 de novembro, num dia nublado, completamos os 21km mais esperados e eu estou aqui pra contar como foi esta experiência.

Meia Maratona de Pomerode

A Meia de Pomerode era um evento que estávamos contando os dias para sua chegada, a preparação foi intensa e exigiu muita dedicação minha e da minha mamãe, que estrearia nesta distância.

As últimas semanas não tinham sido fáceis pra minha mãe que estava passando por uma crise de intolerância alimentar, o que a prejudicou bastante na rotina de treinos. Mas pra quem estava se preparando há tantos meses, não seriam poucas semanas que prejudicariam do seu objetivo.

Tá chegando a hora

Fomos pra Pomerode no sábado, para pegarmos o kit e já aproveitar o jantar de massas que a organização da corrida também promovia. Encontramos nossos companheiros de assessoria e outros amigos que também participariam do evento. Todos estavam muito contentes em estar lá e isso eu acho muito bacana nestes eventos, é um misto de ansiedade e gratidão por viver este momento que estava próximo.

Chegamos ao hotel para descansar, arrumamos a roupa, suplementos, chip e fomos dormir. Confesso que não dormi muito bem, sempre acabo ficando um pouco ansiosa e esta prova tinha um peso especial.

O dia chegou!

Madrugamos, tomamos um café e partimos em direção a largada. Chegando lá encontramos o restante da trupe. Na prova tinha alguns estreantes além da mamãe, as meninas decidiram largar conosco e se eles se sentissem bem, iriam apertando o pace.

A largada

E foi dada a largada, nós largamos mais no final para não queimar largada, nosso pace seria baixo, então melhor não atrapalhar quem quer diminuir tempo. Nossa meta era chegar. Simplesmente isso.

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A prova

Os primeiros kms foram muitos festivos, as meninas foram conosco, conversando, brincando, rindo. Mantivemos nosso objetivo de velocidade, segui sempre acompanhando e monitorando para não aceleramos indevidamente, afinal, são 21 km.

O clima da prova estava muito bom, conversamos com outros participantes, trocando experiências e convites para correr em outros lugares. Nos primeiros 4 km já tinha uma recepção com bandinha alemã que rendeu boas risadas e até dancinha.

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Diversão e corrida

Estávamos nos divertindo e é isso que eu acho mais importante na corrida. Por mais que exija esforço, treino e dedicação, tem que ser prazeroso, nos fazer nos sentir vivo!

E os km foram avançando, seguimos escoltadas pela ambulância, o que é ruim, pois significa que estamos em último, mas é bom, pois transmite segurança. Eu realmente não me importo com isso e tentei sempre transmitir isto para que o psicológico não abalasse a minha mãe.

As meninas sentiram que poderiam correr mais rápido e avançaram na nossa frente, vimos o pessoal retornando no outro sentido. Seguimos correndo firmes, mantendo o nosso objetivo. Com 10km estávamos com o tempo de 01:15. Ótimo e super dentro do que tínhamos atingido de meta, tentar completar em 02:40.

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Hora de voltar

Enfim visualizamos o retorno dos 10,5km, era o marco de que chegamos à metade da prova. Tínhamos que fazer um contorno. A fila de carros estava logo atrás da ambulância e a organização nos apressou para fazermos a rotatória. Nesta hora minha mãe acabou forçando a coxa e acabou sentindo a perna.

A reviravolta!

Muito bem, deste momento em diante a prova mudou completamente. Aí o que era diversão começou a virar sacrifício! Assim que fizemos o retorno a organização liberou o transito, nos dois sentidos e nos orientou a correr pelo acostamento. Seguimos a orientação, mas bem chateadas, afinal, não havia tempo de corte no regulamento e o acostamento estava cheio de pedras e copos nos pontos de hidratação.

Falta de gentileza

Algumas vezes voltamos a correr na pista, pois as condições do acostamento estavam péssimas. Em um dado momento, dois homens da organização passaram de moto e foram bem grosseiros conosco. Se o psicológico da minha mãe já estava afetado por sermos as últimas, por estar com dor na coxa, a insistência e a falta de gentileza desses senhores foi a gota d´agua.

Comentei com eles que o nosso entendimento é que a pista estaria fechada até as 03:30 limites da prova, conforme o regulamento. Que não havendo tempo de corte, estaríamos assistidas até este limite. Eles insistiram que não, que devíamos seguir pelo acostamento. Contra argumentei que correr no acostamento fazemos nos treinos, que em uma prova, esperamos infraestrutura e que a organização deveria prover isso.

Seguindo em frente

Enfim, seguimos os 10,5 km restantes no acostamento. O transito foi liberado com 01:20 de prova, aproximadamente. Fato é que se você não faz 21km neste tempo, não deve correr este tipo de prova, pois ela não oferecerá apoio e estrutura necessária, nem ambulância havia mais atrás de nós. Infelizmente, terei que comparar com as provas que fiz em São Paulo, onde a estrutura é mantida até o tempo limite de prova.

Bem, desistimos? Não! Mamãe correu, caminhou, correu novamente e assim fomos avançando nos últimos kms. Chegando ao km 20 não havia nem Staff para nos orientar no trajeto, tivemos que perguntar a alguns policiais que estavam perto.

Enfim, chegamos!

Nos 500 metros finais a emoção bateu. Foi muito difícil para nós. As lágrimas rolaram. Alguns corredores que estavam próximos à linha de chegada aplaudiram, a emoção aumentou ainda mais e assim cruzamos a linha de chegada.

Abracei muito forte minha mãe, pois ela foi uma guerreira, não desistiu. Completou com 02:58 de prova. Foi muito emocionante! As meninas vieram nos recepcionar. Infelizmente não tinha fotografo no momento que cruzamos a linha de chegada, foi um momento épico e que eu queria ter o registro.

 

O pós-prova

Depois de esperar alguns minutos, seguimos para encontrar o pessoal. Este é o registro de todos com a medalha. Esta medalha tem um lugar especial pra mim. Me mostrou como algumas ações podem influenciar diretamente no nosso resultado, principalmente afetando a nossa mente. Também me mostrou quão forte somos, pois cruzar a linha de chegada exigiu muito mais do que o preparo físico, posso falar que foi nossa determinação que fez com que não sentássemos no meio fio e largássemos tudo!

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Mamãe meia maratonista!

Parabéns mamãe, você entrou pro seleto grupo de meia maratonistas, e ano que vem vamos fazer mais uma prova juntas! Te amo!

Fernanda Lüttke

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