Eu me apaixonei pelos 21 km

Eu me apaixonei pelos 21 km

Noite mal dormida, ansiedade, a certeza de que não havia treinado o suficiente. Tudo fez diminuir minhas expectativas quanto à minha quarta Meia Maratona. Mas tomei coragem e um sucão @revivoincrivel e fui. Sabia que tinha que encarar esse desafio por mim.

Então lá fui eu, naquele ritmo que eu gosto, com playlist presente, com o coração leve, sentindo o sol esquentando o corpo.

Quem nunca correu essa prova não faz ideia da sensação que é quando a gente chega na ponte que liga o continente à Ilha de Florianópolis.

Olhar para o lado e ver o nascer do sol, o mar. Quem ama a natureza – como eu – chega a ficar entorpecido com tanta beleza. É simplesmente inspirador.

E assim segui, me sentindo tão bem, sem ansiedade alguma pela linha de chegada. Curtindo aquele momento. Eu estava voltando às meias depois de um 2018 cheio de turbulências e que quase botaram um ponto final na minha carreira de corredora amadora.

A ponte terminada, era hora de seguir para a beira-mar norte. A cada passo que sentia meu coração leve, chegava a cantarolar as músicas que foram trilha sonora dessa conquista. Quem me conhece sabe que – pra mim – a vida deveria ter trilha sonora. Então dou o jeito de colocar trilha nos momentos mais especiais. Assim, toda vez que ouvir essa ou aquela canção, vou fechar os olhos e me transportar praquela lembrança gostosa. E nessa hora a música me dizia: nós podemos ser heróis. E como!

O sol batia no rosto, baixei um pouco a viseira e segui correndo. Sabia que aquele desafio só poderia ser vencido por mim. O calor, de leve, não chegou a atrapalhar.

E quando menos percebi, já era hora de voltar. Já havia vencido metade da distância.

Olhava ao longe e tentava calcular até que ponto ainda correríamos na beira-mar. Na minha cabeça era muito mais longe do que realmente foi.

Quase nos elevados que nos levariam de volta ao continente coloquei a playlist que havia feito. E de repente comecei a ouvir Dave cantando pra mim: “Em tempos assim você aprende a viver de novo, em tempos assim você se entrega e se entrega de novo, em tempos assim você aprende a amar de novo, em tempos assim, outra e outra vez…”

Olhando os outros corredores já retornando pela ponte que iria enfrentar e ouvindo Times Like These, eu chorei. Na verdade, ainda me emociono em lembrar dessa cena. Só podia agradecer por estar ali. Naquele momento, vivendo aquela experiência única. Não havia outro sentimento naquele momento em meu coração que não fosse gratidão.

Fiz a volta no elevado e subi a ponte. Subida eterna, mas segui correndo. Não caminhei um instante sequer nessa prova. Mesmo com pouco treino. Eu corri do início ao fim. Até enquanto fazia as fotos em cima da ponte.

No fim o joelho ainda começou a doer, mas eu estava me sentindo tão imbatível que nem pensei em caminhar. Ainda encontrei amigos no caminho, que melhor forma de coroar uma vitória dessa que não ao lado dos amigos de verdade?

E por fim, ainda tive pernas, fôlego, força e coração para um Sprint. E um pulinho à lá Fernanda. Frutas, água, mais lágrimas e aquele momento sozinha para registrar a minha conquista. O tempo, bom, sigo na casa de 2 horas e meia pra fazer uma meia maratona. Mas pra mim, o que valeu mesmo, foi que eu consegui. E vou voltar.

Me apaixonei pelos 21 km. E agora essa distância me verá com muito mais frequência.

Fernanda Lüttke

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