Expectativa e realidade: a saga da volta à academia depois de ter bebê
Este post tem a intenção de mostrar para as corredoras que são e para as que ainda não são mães que nem tudo sai como a gente gostaria – isso é na vida, sim, mas parece que é bem mais frequente na vida de quem acabou de ter um bebê. Mas apesar de não air como o esperado, não quer dizer que não foi bom e que não trouxe muitos ensinamentos. Confira neste post um relato sobre a saga da volta à academia.
A saga da volta à academia
Expectativa
Como consegui ir para a academia até uma semana antes de o Bernardo nascer, pensei que depois que ele estivesse aqui comigo não seria tão difícil voltar à rotina. Para mim, o pequeno nasceria e após 30 dias eu já estaria retomando a musculação e, após 45 dias, a corrida. O bebê ficaria com o pai enquanto eu iria cuidar um pouco de mim. Mas nem tudo saiu como o esperado.
Neste domingo 1º de julho, meu menino – que é um amor, um doce, a pessoa mais compreensiva que eu conheço neste mundo – completou 10 meses. E quinta-feira (28) foi o meu primeiro dia de verdade na academia.
Realidade
Bernardo nasceu em 1º de setembro de 2017. Em 30 de outubro, tentei ir para a academia e retomar os treinos, de leve. Como o bebê ainda mamava no máximo de três em três horas, levei ele junto. Eu tinha cinco exercício para fazer. Quando estava terminando o quarto, ele começou a chorar. Ele queria mamar e eu queria que ele parasse de fazer aquele escândalo só um pouquinho para eu fazer as três séries de 15 repetições com um minuto de intervalo. Não deu. Parei tudo, peguei o bonito no colo e amamentei por lá mesmo.
O que me incomodou? Assim… Bernardo mamou 10 minutos, parou de chorar e logo eu pude terminar o quinto aparelho e ir embora. Não me incomodei de parar tudo para dar de mamar (isso é o que a gente mais faz depois de ter filho). Me incomodei por saber que havia outros alunos na academia e que eles não eram obrigados a ficar ouvindo o meu menino chorando. Não voltei mais. Entendi que precisava dar mais tempo para o pequeno.
Volta aos treinos de corrida
Em janeiro, resolvi que era hora de voltar aos treinos de corrida. E até escrevi um post falando que havia terminado o meu recesso. Combinei com o marido – ele sempre me apoiou nisso – que deixaria o Bernardo com ele para que eu pudesse sair para treinar corrida e até espairecer, pensar um pouco em mim, entendem? Depois que o filho nasce, a gente acaba esquecendo que é alguém além de mãe. A gente passa algum tempo vivendo exclusivamente em função dele.
Parar para cuidar do pequeno e da saúde do marido
Treinei quase que regularmente até dia 15 de abril, e então tive de paralisar os planos para cuidar da saúde do marido, que teve muita febre e tosse e foi parar no hospital com suspeita de tuberculose. Graças a Deus, não era nada. Ele não chegou a ficar internado, mas como estava muito debilitado, ficou cerca de 30 dias sem me ajudar nos cuidados com o Bê e com a casa. Foi bastante cansativo.
Uma demissão no meio do caminho
Além disso, em fevereiro, poucos dias antes de voltar da licença-maternidade, fui demitida do trabalho. Falei sobre isso neste post. Como estava sem trabalho e buscando oportunidades, entendi que era melhor não renovar a matrícula na academia onde eu malhava, que ficava perto do meu antigo trabalho. Precisava esperar até arrumar um emprego e então eu iria malhar em alguma academia que ficasse perto da minha nova empresa.
A decisão de fazer a matrícula
Só que os meses foram passando, fui participando de alguns processos seletivos e nada de ser contratada (vários motivos: muita experiência, pouca experiência, a empresa não pode me pagar o que acha que eu mereço, propostas de pagamento indecentes etc.) Já estava fazendo alguns freelas de assessoria de imprensa, então resolvi que sim, não podia mais adiar a volta à academia. Até porque estou correndo, participando de provas, e como tenho aquela lesão labral, não quero que meu quadril volte a doer.
Decidi ir para a academia do shopping, que estava com uma promoção de Copa do Mundo. Me matriculei na terça (26), mas meu primeiro dia foi na quinta (28). Naquele dia, o Gerson não podia ficar com o Bernardo por causa do trabalho. Então, como o Bê é sempre um amor, optei por levá-lo junto e deixá-lo ao meu lado, sentando no carrinho, enquanto eu fazia meu treino de corrida na esteira – a musculação e comecei no dia 2 de julho, acompanhada de uma personal (falarei disso em uma outra oportunidade).
Uma quase frustração
Era meu primeiro dia, e a minha expectativa estava lá em cima. Tinha dado comida pro pequeno no horário certinho e partimos para a academia. Iria precisar de 40 minutos para fazer meu treino de corrida. Liguei a esteira e comecei a caminhada. Bernardo olhava pra mim e eu achei que estava tudo bem. Quando o relógio marcou oito minutos, o menino desandou a chorar e começou a querer sair sozinho do carrinho. De novo me preocupei com as pessoas que poderiam ficar incomodadas com o bebê chorando.
Peguei ele no colo, fui até o espaço kids da academia, sentei em um puff e conversei com ele. Ele estava com fome e queria mamar. Tinha sono. Então ele mamou. Mamou de novo. Se aconchegou no meu colo e dormiu.
E eu, que precisava “só” de 40 minutos para fazer meu treino, consegui recomeçar o treino 1h20 depois de ter chegado. Mas concluí o treino. Foram 30 minutos intercalando corrida e caminhada + 10 no fim.
Quando desci da esteira, fui até a recepção (o Bernardo tinha ficado no carrinho com a recepcionista superquerida que se apaixonou por ele). Ele estava acordado e superbem comportado me esperando.
Foi uma quase frustração. Realmente não foi como eu esperava – e muita coisa que acontece depois que a gente é mãe, não é, mas certamente foi muito melhor do que não ter ido à academia. Muito melhor. Foi só o começo, e logo, logo, tudo estará do jeito que eu desejo. E vai ser lindo.
Conclusão
Não estou contando essa saga para me fazer de coitadinha e blá, blá, blá. É claro que eu gostaria de ter voltado antes. Óbvio. Mas quero compartilhar que não adianta a gente se sentir – ainda mais – culpada por não estar conseguindo. Nessas horas, é preciso aceitar a realidade e curtir intensamente esse novo momento. E olha… como ele passa muito rápido. Tudo vai se ajeitando e a gente esquece do que foi ruim. Cada coisa tem seu tempo, sua hora. E sim, vai dar certo na hora que tiver de dar, tá? Vai passar. Eu prometo.





Você é uma guerreira, realmente não deve ser fácil passar por isso..mais no final tudo dará certo….bjs
Eu tô acreditando muito hein Carol! Sempre que tento voltar (e não tem dado certo…) Lembro da tua voz dizendo: “vai passar”. Parabéns por não se intimidar com os obstáculos, você é uma inspiração pra nós mães que querem voltar a correr, malhar, se exercitar. Beijos