Leitor na Pista: Márcio Antonio Casagrande, de Xaxim (SC)

Incrível como este mundo dá voltas e nos presenteia com pessoas queridas que a gente jamais imaginaria conhecer algum dia. Este cara aqui em cima, o Márcio Casagrande, cuja história vocês vão ler aqui embaixo, me encontrou no Facebook por causa das corridas – lógico – e começamos a conversar sobre treinos, metas, objetivos.
Ela falou bastante por cima dos desafios que havia enfrentado para conseguir fechar os 10k ainda no ano passado. Convidei-o – assim como convidamos todos os nossos leitores a enviarem suas histórias para a seção Leitor/Leitora na Pista – e fiquei muito orgulhosa por saber que este cara é um guerreiro.
Enfrentou dores fortíssimas no joelho e uma queda de árvore até ouvir o triste disgnóstico: teria de operar. Mas ele fez melhor: em vez de “ir pra faca”, resolveu que iria melhorar. Treinou. Caminhou. Foi atropelado durante o treino. Pensou em desistir, mas seguiu. E hoje é um corredor de 10k com metas para melhorar a cada dia. Deixou as dores e o excesso de peso para trás, assim como enxerga agora um caminho de infinitas possibilidades, muita saúde e diversos quilômetros e outras tantas medalhas. Que orgulho.
Com vocês, o relato do Márcio, morador de Xaxim, cidade que fica perto de Concórdia, onde eu nasci.
Correr para superar
Márcio Antonio Casagrande, 42 anos,
Microempreendedor, morador de Xaxim
Eu sou o Márcio, tenho 42. Sou formado em Pedagogia de Séries Iniciais e tenho três pós-graduações na área da Educação. Atualmente trabalho como Microempreendedor Individual (MEI). Sempre gostei de fazer atividades físicas – caminhar, participar de trilhas ecológicas, gincanas, entre outros. Porém uma descida mal sucedida numa trilha na mata com uma batida forte dos dois joelhos numa laje me deixaram quatro meses sem realizar estas atividades.
Depois disso, ainda encarei uma queda de 6 metros de altura de uma árvore. Sem nem uma fratura, desta vez. Querendo vencer estes traumas e com dores no menisco, os médicos deram a solução: teria de operar. Mas eu tinha certa preocupação com o procedimento.
Contrariando os doutores, fui aos poucos fazendo caminhadas e corridinhas de trote bem leve, até que numa desta corridas leves fui atropelado por uma carro na avenida. Pensei em largar tudo de uma vez. Estávamos no ano de 2013, tudo isso acontecendo… eu estava havia meses sem fazer nenhuma atividade física e cheguei a pesar 94,7 kg.

Após ler alguns livros de automotivação e muitos outros relatos de pessoas que superaram seus acidentes e seus traumas, decidi verdadeiramente voltar. Sabia que não seria nada fácil, mas acreditava cada dia na minha força de vontade e superação.
Então, em julho de 2015, comecei a fazer academia duas vezes por semana e uma caminhada na rua. Sentido o cansaço das atividades e o alto peso, também tive que dar uma equilibrada na alimentação. Com o tempo, percebi que já não sentia as fortes dores no joelho – tinha feito um tratamento à base de argila e ervas medicinais e acho que isso ajudou muito.
Foi então que um professor da academia me propôs um superdesafio: participar de uma corrida de 10 km do Circuito Unimed em Xanxerê (SC). O principal objetivo seria de completar toda prova correndo.
Assim iniciei no mundo nas corridas de rua que recém está começando, pois senti que correr os 10 km foi muito bom. Todo mês participo de alguma prova pela região.
Para mim, toda essa jornada é motivo de orgulho. Mostra meus momentos de superação pessoal e a busca pela qualidade de vida. Realmente me redescobri com algo prazeroso. Deixei aqueles 94,7 kg para trás. As dores e os traumas dos acidentes também já não existem mais.
Os 10 km que eu corria em 55 minutos no início não existem mais – hoje posso afirmar que estou feliz pela transformação e pelo comportamento que tive para superar todas minhas dificuldades e meus medos. Estou pesando 74,kg e correndo os 10 km entre 48min e 49min30, mas espero baixar esta marca para 46 minutos antes do final de junho de 2016.

Agradeço a oportunidade de escrever este pequeno relato sobre mim e principalmente à jornalista Caroline Spricigo pela atenção e o convite. O Mulheres na Pista incentiva cada atleta e cada desportista com suas histórias e eu espero ter contribuído um pouquinho também.


