Leitora na Pista: Sâmia Frantz, de Floripa

Superação na Princess Magical Run
Por Sâmia Frantz,
Jornalista e moradora de Florianópolis
Imagens: Carolina Dantas
Eu entrevistava um personal trainer quando uma colega se aproximou para comentar: “Queria mesmo era participar daquela corrida das princesas da Disney que vai ter em São Paulo”. Parei na hora. A sequência de palavras mágicas “corrida-princesa-disney” me tirou toda a concentração e eu quis saber mais. Ela me mandou o link e as informações da Princess Magical Run e, bingo: aquela prova era a minha cara. Pesquisei promoção de passagens e fiz minha inscrição no percurso de sete quilômetros. Eu tinha dois fatos pesando contra mim e só um a meu favor. Nunca havia corrido mais do que cinco quilômetros antes, e fazia um mês que eu não treinava. Mas estávamos em janeiro e a prova estava marcada lá para março (no Dia Internacional da Mulher). Ou seja, dava tempo.

Mas não deu tempo. Visitas vêm, visitas vão, e um verão recheado de programas legais foram me fazendo deixar os treinos sempre para amanhã. Então, certo dia, acordei no dia da prova. Estava preocupada, claro, mas se eu já estava ali, iria até o fim. O dia estava feio em São Paulo. Friozinho, com nuvens carregadas e as ruas no entorno do Ibirapuera encharcadas do temporal da madrugada. Dez mil pessoas estavam comigo naquele desafio. Coloquei o Ipod na braçadeira, o fone no ouvido, o Asics no pé, a coroa na cabeça e acreditei em mim. Não seriam os outros os meus concorrentes naquele dia: minha maior adversária era eu mesma.
Eu completei a prova. Cansada, mas completei. Cruzei com Brancas de Neve, Cinderelas, Chapeuzinhos Vermelhos, fantasias não-identificadas e até Malévolas, com aqueles chifres enormes na cabeça. E o mais importante: todas aquelas princesas mágicas não correram o tempo todo, alternando o trote com uma caminhadinha. Foi uma cena muito legal para lembrar que ninguém ali é máquina. A gente precisa da nossa força de vontade para cruzar a linha de chegada, mas precisa também respeitar os nossos limites e o nosso próprio ritmo.
Quanto a mim, corri mais do que eu mesma imaginava. Caminhei, claro, principalmente nas subidas – eram muitas! E quando cruzei a linha de chegada, escoltada pelos guardas reais e pelas princesas – as próprias! – e suas carruagens, levantei os braços para agradecer. No Dia Internacional da Mulher de 2015, a minha luta foi conseguir chegar mais longe: e eu consegui! Meu corpo ainda lembrava como fazia. Eu é que havia esquecido do que a endorfina faz com a gente.



