42K de Floripa 2018: um relato um pouco tardio sobre amizade

42K de Floripa 2018: um relato um pouco tardio sobre amizade

Estou devendo este texto que você está lendo agora desde 3 de junho. Desde a 42K de Floripa 2018. Faz tempo. Só que aí vocês já sabem: rotina atribulada, filho pequeno, cansaço, sono acumulado, marido, mercado, entrevistas de emprego (que agora não faço mais, graças a Deus!), conquista de clientes, abertura de empresa, muito trabalho, volta à academia… , deixei o tempo ir passando e não escrevi.

Pois nesta segunda-feira (27) fiquei chateada comigo por não ter feito esse texto antes. Hoje, pela primeira vez na vida, senti medo de perder uma grande amiga. Aquela amiga que eu conheço há uns 15, 16 anos, e que está sempre presente na minha vida. Nos bons e nos maus momentos.

Aquela pessoa que me apoia, que me dá toda a força do mundo, que me tranquiliza, que me faz rir, que ri da minha cara – que odeia o meu café – e que diz que me ama só porque eu nasci. E que me ama pra sempre. Aquela irmã que eu escolhi pra mim – ela nasceu de outra mãe. Essa pessoa é a Fernandinha, minha amiga, sócia de blog, tia e madrinha extraoficial do Bernardo (porque ele não tem nenhuma).

Fernanda está no hospital há uma semana. Internada. Como uma pessoa tão jovem é internada? Como uma pessoa tão jovem é internada sem ter a amiga que mora longe por perto? Não pode ser. Hoje, quando recebi a notícia de que ela teve uma convulsão durante um exame, sofri. Senti medo de perdê-la.

E sofri ainda mais por não ter escrito isso. Fernanda é uma pessoa essencial na minha vida. Mas na 42K de Floripa, eu só fui até o fim porque ela estava do meu lado. Mesmo quando não conversamos durante a prova – porque eu estava sem fôlego – e quando eu não olhava pra ela por medo de não ter energias para terminar os 7k que havíamos começado, eu sabia que ela estava muito feliz. Eu sabia que ela estava sorrindo.

Porque a Fer é uma pessoa feliz. De bem com a vida. Bem-humorada. De boa. Uma pessoa que se doa para os outros. Que me faz sentir forte. E capaz. E segura – ela até é a minha assessora de imprensa para assuntos aleatórios e minha personal fotógrafa de corridas preferida. E eu não quero decepcioná-la nunca. Foi por isso que aquela prova foi tão importante pra mim: porque superei os meses de falta de treino constante pra ficar do lado dela. Para terminar os 7k da 42k de Floripa junto com ela. Para ganhar aquele abraço. Porque eu sei que estar ao lado dela é sempre incrível e é sempre um momento feliz.

É incrível como a gente tem a consciência de que tudo o que planejamos pode simplesmente não acontecer porque a vida tem outros planos. E é ainda mais incrível ver o quanto a gente se faz de bobo e perde tantas oportunidades. Boas oportunidades. Deixa de viver momentos incríveis e deixa de dizer o que é tão importante para nós. A partir de hoje, não vou mais ser assim.

Então, Fer. Esse texto que eu não escrevi antes é só pra deixar registrado o que eu já falei algumas vezes antes de hoje, mas especialmente hoje pra ti. Eu te amo. Obrigada por tudo. Conta comigo sempre. E sai logo desse hospital, porque hospital não é lugar pra você. Bora treinar que no ano que vem quero estar do teu lado nessa prova de novo, menina!

Sobre a 42K de Floripa 2018

Sobre a 42K de Floripa 2018? A Fernanda escreveu sobre ela aqui neste post. Faço minhas as palavras dela. Também fizemos esse vídeo que está aqui embaixo.

Carolina Spricigo

Jornalista, assessora de imprensa, gestora de marketing digital, gestora de conteúdo, blogueira do Mulheres na Pista, corredora e mãe do Bernardo. Feliz.

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