Meia de Floripa 2017 – aventura, emoção e superação
Acordar às 3 da manhã para enfrentar o frio, viajar até outra cidade e correr 21 km. Sim, somos loucos, mas não estamos sozinhos. E foi ao lado de loucos como eu que partimos de Joinville para Florianópolis rumo à Meia Maratona de Floripa.
Meia de Floripa 2017
Chegamos em cima da hora da largada – com emoção é mais divertido, né? Rsrs. Pegamos o kit com a Gabi Colocamos chip, número de peito superapressados e partimos para o funil de largada. Aquela multidão, a paisagem, tudo é de fazer o coração bater mais forte.
Para coroar ainda mais o início da prova o sol resolveu nascer por de trás dos morros da nossa capital, o que fez com que o visual fosse ainda mais lindo. Foi engraçado ver vários corredores sacando o celular para registar a cena.
Mais um pouco e já era hora de nos separarmos de quem estava correndo 5 km e partimos para a subida da ponte. O céu limpo e sem uma nuvem e o mar aos nossos pés foram nossa nossas companhias por alguns instantes.
Depois que a Deia e eu atravessamos a ponte encontramos a Laryssa, que subia o elevado. Ela decidiu seguir com a gente e fomos as três até que o povo dos 10km teve que voltar. Deia e eu desejamos boa prova e seguimos.
O sol nascia na nossa frente o que fez pensarmos em como faz falta um óculos escuros na hora de correr. A blusa de manga comprida ajudava quando passávamos pela sombra. O clima está muito agradável, sem vento.
Seguimos por um bom tempo até que começamos a encontrar os líderes da prova já voltando. Passaram também pela gente o Juliano e o Juan, que haviam viajado comigo e o Juliano da 42 k, meu treinador.
Haviam corredores de todos os tipos. Novos, velhos, casais, haviam dois de Pernambuco em nossa frente.
Em um determinado começamos a sentir um cheiro forte e percebemos que um rapaz que corria a nossa frente havia feito as necessidades fisiológicas no shorts. Parecia que ele corria e chorava. Mas seguiu. Fiquei pensando na coragem daquele homem. Muitos teriam desistido por muito menos.
A volta
Juro que aqueles kms demoraram a passar mas finalmente havia chegado a hora de voltar. Esse foi o primeiro momento que caminhei, alguns passos para tomar o isotônico já que nos outros postos de hidratação eu tomava água e acabava mordendo a minha bochecha (sim, sou descoordenada).
Mais dez kms e alguns metros. A medida que íamos correndo parecia que a beira mar ia alongando. O tempo seco e frio não deixava o suor escorrer, ele secava na pele e a cabeça também os esquentando. E eu precisei jogar água para resfriar o radiador…
Alguns corredores passavam a gente, também passávamos outros. E fomos assim. Vi em alguns momentos a Deia sentindo dores nos quadris. Sei que por eu estar fazendo ela correr tão devagar ao meu lado isso pode ter piorado e pedia desculpas a ela. Mas não conseguia ir mais forte.
Mais um instante de água, mais uma caminhada. Mais alguns passos que precisei dar. Só voltaria a caminhar próximo ao fim da beira mar, aos pés da Hercílio Luz. Nesse momento o Juliano, da Rastro, veio ao nosso encontro e foi categórico: trota mas não caminha, pois se caminhar o corpo vai seguir pedindo pra caminhar…
E eu fui, fiquei e segui no trote, devagar mas determinada. Ao passar pelos relógios espalhados pela cidade via que meu tempo não era dos melhores. Mas segui devagar e sempre.
A subida da ponte foi desgastante, mas os treinos no Mirante em Joinville se mostraram muito eficientes. Via várias pessoas caminhando, mancando e com dores, mas eu seguia no trote.
Na ponte chegou o km 18, até fiz vídeo, aquela vista merecia. O Juliano apontava as barracas das assessorias para me dizer que era ali a chegada. Estava perto.
Acho que as últimas fotos feitas pelo pessoal do Foco Radical saíram com cara de sofrimento. Mas foram os últimos metros que tirei força de sei lá de onde. Olhei para a Deia e perguntei: o pulinho clássico? Sim!
De mãos dadas demos aquele pulo lindo, clássico e fim. Fim? Não! Me agachei no chão e comecei a chorar. Estava decepcionada, sei lá. Abracei e agradeci à Deia pelo apoio e companhia.
Encontrei o restante dos amigos, peguei medalha, água, frutas, fiz fotos. Depois ficamos Maria Fernanda e eu jogadas no chão, semimortas, junto com a Laryssa, esperando o Juan e o Juliano pegar o carro.
E foi hora de voltar, voltamos rindo, conversando, mortos. Mais uma meia para a conta…
Mais uma pra conta
Essa foi a minha segunda Meia Maratona. Achei que fosse me sair melhor. Se for pensar que dessa vez eu corri 99% da prova, sim, meu desempenho foi melhor. Mas se for pensar no tempo de prova. Bom, imaginem. Fiz em 2h49. Não que me orgulhe, ou tente arranjar uma desculpa. Mas por mais que eu pregue que ninguém deve se preocupar com pace, eu juro que queria ser mais rápida. Um pouco, ao menos.
Mas as recentes mudanças na minha rotina afetaram minha disponibilidade de treinos com a minha assessoria esportiva, a 42k. Ao contrário de 2016, agora eu trabalho em outra cidade, então os treinos solitários na esteira foram frequentes.
Se foi isso ou não, não saberei. Também tô tentando não pensar muito nisso, afinal rápido ou devagar, foram 21km. Certo?
Agradecimentos especiais
Antes de mais nada preciso agradecer todos que me apoiaram e apoiam sempre, família, amigos, pessoal do Mulheres na Pista, vocês, com cada palavra de incentivo a cada treino e nova conquista, fazem a diferença.
Depois ao Juliano e todo o pessoal da 42k Assessoria Esportiva, que fez meus treinos e planilhas para que eu pudesse ter preparo para enfrentar esse desafio.
À Deia Zoboli, a mãe na pista, que foi todo o trajeto ao meu lado e não me deixou caminhar – coisa que eu fiz muito na minha estreia na Meia de Joinville. Caminhei em três pequenos momentos, dois deles para tomar isotônico e água. Depois disso Deia e o Juliano, que era o motorista da rodada na nossa ida pra Floripa – e que voltou para nós buscar – não deixou eu parar. E por isso sou muito agradecida!

E aos amigos (novos e recém feitos) Maria Fernanda, Laryssa, Juliano e Juan pela viagem, a companhia, a amizade e a aventura que foi esse nosso domingo.
Pontos Positivos
Essa é realmente uma das provas mais charmosas do Brasil, o percurso é lindo e relativamente fácil, a vista é deslumbrante.
Acho a organização dessa prova muito boa, afora mudar o horário de largada e a questão da estrega dos kits todo ano e em cima da hora.. rsrs
Frutas frestas, água e isotônico a vontade para todos os atletas.




