Rústica de Araquari: prova de fogo, prova de sorte!, Por Celma Dutka
Eu não acredito em coincidência, em acaso, creio que tudo que acontece na vida tem uma razão de ser. Por isso, defino a prova de Araquari como sendo destinada, ou seja, eu tinha que fazer. E prova disso foi ter ganho a inscrição no sorteio das Mulheres na Pista. Não é ser pretensiosa, mas quando me inscrevi eu senti que ganharia e ganhei.
Da mesma forma, quando optei pela prova, confesso que não prestei atenção no horário (largada 16 horas), só percebi minha falta de atenção na semana da prova, uma semana bem quente por sinal. Rezei à São Pedro por chuva e tempo fresco, mas o dia amanheceu lindo! Abri a janela e lá estava ele: grande e impetuoso! Eu me sentia da mesma forma, mas consciente das minhas limitações com o calor.
Antes da prova fiz um treino específico de um mês para melhorar meu tempo, também voltei para a academia e ganhei resistência, no yoga sigo melhorando a flexibilidade. Ter conseguido fazer tudo e não sentir dores ou baixar a imunidade havia sido pra mim uma grande vitória.
Mas missão dada é missão cumprida!
E lá fui eu para Araquari sem a cia da minha amiga Fernanda Lüttke, combinamos de ir juntas para a prova, mas não deu.
Cheguei bem cedo, o local estava todo organizado!
Peguei meu kit e amei receber o número 077. Explico o motivo. Eu nasci dia 07 de outubro, tenho esse número como meu número, pois foi quando vim ao mundo. Além disso, mística que sou, sei que é um número de poder na filosofia e na literatura de escritos sagrados de várias religiões, sendo considerado o número da perfeição, na numerologia é o número da conquista. Essa informação aliada a dados que recebi sobre a pouca participação de mulheres na modalidade 10K fez criar um sentimento de expectativa, de que eu teria de buscar algum resultado, mesmo não sendo um objetivo, pois eu corro para ter equilíbrio na minha vida.
Seguindo o roteiro às 15 horas encontrei a Carolina e o marido, depois a Gabi, o marido e filho e me senti mais confortável com os amigos ali. Enquanto isso o sol continuava lindão!
Por isso, decidi correr de top e troquei o tênis no último minuto, optei por um mais leve, o que foi bom.
Então vamos lá, largada pontual, fiquei no cantinho direito, liguei o som e fui!
Larguei bem, mas logo no 1k já senti o meu corpo aquecer bem mais que o normal, senti a velocidade baixar, senti os demais atletas passando por mim. Pronto! Havia deixado o psicológico me pegar, piorou quando viramos uma curva e o sol estava tão gigante e quente que pensei não resistir até o final. Foquei na respiração, lembrei das aulas de yoga, ouvi a música que tocava (apesar de ter esquecido o cartão com a lista que fiz para a prova), conversei com meu corpo e estava tudo bem.
Nos 4k a música parou, pensei em parar e ligar novamente, mas não seria uma atitude de atleta e recolhi o fone. Agora e ouvia a minha respiração, as passadas, o impacto, os demais atletas. Ufa! Não foi tão ruim!
Antes de concluir os 5k passei por uma atleta (Tere de Campo Alegre), isso me deixou um pouco mais segura, mas fechei os 5k com a sensação e cansaço de 10k. Cada km parecia ter 5km, isso tortura. Nos 6k a atleta retomou a posição e abriu muito, mas eu passei por outros e abri também. Nos 8k vi as primeiras passarem por mim de outro lado da rua, pareciam cansadas, mas a força que empregavam e o ritmo eram ótimos! Nos 8K acabou a água também.
Nos 9k errei o percurso por uns 20 metros, hehehe
O último Km durou mais que os outros!
Terminei, mas sabia que não tinha atingido o objetivo de treino que era concluir a prova em 45 minutos, sabia também que não teria pódio #sqn.
Teve pódio! Teve troféu! Teve premiação!
Fiquei mega feliz em ver meu nome lá na lista – Categoria 35/39 – 1 – Oricelma Dutka – Mulheres na Pista.
Na hora você não chora, mas lembrar sim, faz você chorar, mas é de alegria!
Cada treino, cada prova é um aprendizado, uma conquista e uma motivação para continuar!
Obrigada Deus!
PS – na retirada da premiação reencontrei a atleta de Campo Alegre, a Tere, aquela que passei e depois me passou. Ela havia ganho também, nos abraçamos, foi um momento feliz!



