A estreia das Mulheres na Pista na Night Run Costão do Santinho

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Por Carolina Spricigo

Uma corrida inesquecível marcou a noite do último sábado (30), em Florianópolis. A Night Run Costão do Santinho reuniu mais de 1,5 mil corredores profissionais e amadores que se divertiram pelo percurso que misturou areia fofa e batida da praia, dunas, subidas, descidas, água, chuva e muita, mas muita lama. Foi praticamente um cross country – e como eu nunca havia participado de nada parecido, a-do-rei e já virei fã de carteirinha.

É claro que nem tudo correu conforme o planejado. Pouco antes das 20h começou uma ventania muito forte que trouxe com ela a chuva. Uma tempestade acompanhada de muitos trovões e descargas elétricas. A estrutura, lindamente montada para os atletas, foi prejudicada e por alguns momentos os participantes ficaram apreensivos, porque rolava o boato da possibilidade de cancelamento da prova.

Quando a chuva deu uma trégua, os organizadores anunciaram que, para a segurança dos atletas, a corrida teria apenas uma volta de 5k – os corredores de 10k fariam também 5k – e o percurso seria modificado. Também não haveria 
cronometragem eletrônica, porque os tapetes que fazem a leitura do chip tinham ficado encharcados. Partimos com um certo atraso – cerca de 20 minutos, tempo que nem vi passar, porque estava junto dos amigos e aproveitando para dançar e curtir o momento.

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Contagem regressiva feita, foi a vez de os fogos de artifício marcarem a hora da largada. Parecia um mini ano-novo e eu confesso que me emocionei. Finalmente estava aberta a agenda 2016 de corridas das Mulheres na Pista. Fernanda e eu corremos sempre acompanhados dos queridos Junior e July, os blogueiros do Desafio Running, que deram uma superforça durante todo o percurso. Os dois são incríveis e deixaram a prova ainda mais legal. Chegamos os quatro juntos, de mãos dadas, depois de quase 37 minutos de prova.

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E agora que chega a parte triste: os organizadores conseguiram patrocínio de diversas empresas para distribuírem lanchinhos pós-prova aos atletas (barra de cerais, cookies, pão de queijo, açaí, cerveja, água de coco, isotônico e comidinhas saudáveis etc). Mas isso não aconteceu como deveria. Alguns corredores que chegaram antes de nós, em vez de pegarem um produto de cada, pegaram caixas e levaram embora. Quando chegamos, não havia mais nada.

Fiquei muito chateada, porque havia comido às 17h – já eram quase 22 horas e a fome estava apertando. Estava me sentindo como na cena do filme “Ensaio sobre a Cegueira”, quando todas aquelas pessoas saqueiam um supermercado. Foi muito parecido e não condizia com a beleza do evento. Abordei um rapaz que estava com uma caixa de cookies perguntando – ironicamente – se ele estava distribuindo aos atletas. E ele: “Não. São todos para mim.” Engraçado, eu disse, por causa de gente como você, que tem este tipo de espírito esportivo, eu e muitos atletas ficamos sem comida. E ele, mais uma vez, surpreendeu: “Azar o seu.”

Morri. Preferi não discutir mais. A sorte é que a Fer havia conseguido pegar uma barra de cereais e um açaí pra mim.
Decidirmos ir embora e procurar um lugar para comer.

Pontos fortes
– O Costão do Santinho é lindo, então o visual da prova, incluindo o pré e o pós, é maravilhoso;
– A entrega do kit em dois dias – sexta (29) e sábado (30) -, na Decathlon, foi superorganizada e sem filas;
Kits supercompleto e cheios de produtos gostosos e saudáveis para os corredores – tinha ainda convite para uma
festa e desconto em loja de roupas;
– As headlamps que foram distribuídas em todos os kits foram um charme à parte, fizeram toda a diferença e deixaram a corrida ainda mais bonita;
Dois pontos de hidratação – apesar da chuva, estava calor e hidratação é sempre importante;
– A medalha era linda;
Espaço kids – muito legal a preocupação dos organizadores com as crianças. Conheço alguns papais e mamães que deixam de participar de provas porque não têm com quem deixar os filhos. Neste local, as crianças foram alimentadas, brincaram e se divertiram muito enquanto esperavam a prova terminar;
Food Trucks para os atletas e familiares se alimentarem – uma pena ter chovido;
Medalha especial para os três primeiros colocados em cada categoria – valorizar os atletas amadores é demais e deveria ser feito por todos os organizadores.

O que pode melhorar

– Claro que toda aquela chuva não foi culpa da organização – a meteorologia é implacável. Mas temos de ter consciência de que os meses de janeiro, fevereiro e março são sempre chuvosos aqui em Floripa;
Sinalização do percurso: as luzinhas piscantes estavam fraquinhas, então conseguimos correr seguindo as luzinhas dos outros corredores;
Não havia marcação de quilometragem no percurso;
– A chegada – depois de passarmos pelo portal de chegada, tivemos de esperar na fila para receber as medalhas e poder ter acesso à área de dispersão;
As frutas – essas sobraram, e estavam deliciosas – poderiam ter sido colocadas em saquinhos plásticos – estavam cheias de areia, por causa do vento;
A educação dos corredores – espero que no próximo ano não tenhamos de conviver com este tipo de gente que só se preocupa com o próprio bem. É complicado ver as pessoas reclamando de corrupção, mas não hesitarem na primeira oportunidade de levar a melhor.
– Talvez se tivesse mais staffs isso poderia ter sido evitado – mas esta é uma suposição;
– Sobre a inscrição, sugeriria um valor fixo para assessorias de corrida e grupos de corredores – o valor variava conforme a virada do lote.

Carolina Spricigo

Jornalista, assessora de imprensa, gestora de marketing digital, gestora de conteúdo, blogueira do Mulheres na Pista, corredora e mãe do Bernardo. Feliz.

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