3a Corrida e Caminhada de Piracity: a honra de chegar por último

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Sim, amigos, mais uma vez eu cheguei em último lugar em uma corrida. Mas ao contrário de outras situações, eu não me abalei com a colocação. Deixa eu te contar por que e te falar como foi esse desafio de 21 km no sol escaldante.

3a Corrida e Caminhada de Piracity

Participei de todas as edições dessa prova. Na primeira edição foi o maior percurso (8 km, e te conto aqui como foi). Na segunda edição foram 10 kms (aqui tá o post onde falo sobre a prova).

Neste ano a corrida estreou a distância de 21 km, e eu, como gosto de um desafio, parti para a Meia Maratona, a última do ano.

Pré-prova

Fazendo o post de retirada do kit fui checar a previsão do tempo e lá estava ele, o sol. Amo correr no sol, até porque em distâncias maiores meus pés sofrem na chuva. Mas fiquei com medo porque a largada, marcada para as 8 horas, era muito tarde para uma prova tão longa. Isso iria significar que mesmo nas melhores previsões eu terminaria a prova 10h30!

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Então separei meu cinto de hidratação, protetor solar fatos 50, viseira, roupas frestas, gel carboidrato e muita insanidade.

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Hora de correr

Cheguei em Pirabeiraba, local da prova, com quase uma hora de antecedência. Muitos amigos já estavam lá, mas acho que por causa da data adiantada (nos outros anos a prova fechava o ano de corrida em dezembro, e agora foi no dia 12 de novembro) e o valor mais alto espantaram alguns corredores.

Em casa havia passado protetor no corpo todo, tinha deixado uma garrafa de água no freezer para levar água congelada. Achei que estava pronta.

Sissa e Deia Zoboli – a mãe na pista – também enfrentariam essa distância, além de outros amigos como a Leana e o Luiz, da 42k. Esses dois feríssimas. Sissa também foi super bem. Já a Deia passou a prova se perguntando quem teve a ideia de fazer 21 km. Fui eu, falei que então ela poderia me matar após a prova, quando eu já estaria semi morta!

Largamos às 8 horas, todos juntos (quem ia fazer caminhada e as outras distâncias de corrida). Começo a achar essencial separar ao menos o povo da caminhada de quem vai correr. Nada contra, é só para a segurança de todos mesmo.

Por muito tempo Deia e eu fomos juntas. E eu já havia avisado que, se ela quisesse ir mais forte, poderia ir sem problemas, já que na Meia de Floripa ela sofreu um bocado para me acompanhar no meu pace mais lento. Sim, correr mais lento do que estamos acostumados dói!

No km 5, depois de passar por ruas de paralelepípedo, chegamos à estrada de terra. Foram alguns quilômetros nessa estrada, que contava com árvores na beira – e consequentemente sombra. Sombra essa muito bem-vinda!

Depois lá pelo km 8 voltávamos para o asfalto e uma parte longa do percurso sem sombra alguma. Por aí já era a última colocada e já ouvia o barulho temido da moto que me escoltava. Mas ali estava um dos meus anjos da guarda nessa prova, o senhor Hermes, agente de trânsito.

Quando tirei minha camiseta para correr só de top ele logo perguntou: passou protetor solar? Eu respondi: sim, fator 50!

Eu corria, corria e nada do povo que estava na minha frente começar a voltar. Começava a ficar agoniada, o quanto faltaria para eu finalmente começar a fazer o percurso de volta?

Mas logo eles apareceram! A maioria deles me incentivando: não desiste, moça. Ah, gente, sou teimosa, né? Desistir seria difícil. Ou não, naquele sol, confesso que cogitei a ideia. Por poucos segundos, é verdade, mas cogitei.

Fui sofrendo horrores até chegar ao km 12 e pouco, e era finalmente hora de voltar. Quando passei pelo posto de hidratação não resisti e joguei um copo inteiro de água gelada na cabeça. E percebi que havia encontrado a fórmula mágica para não desistir e conseguir fazer a prova inteira. Jogar muita água na cabeça. Senhor Hermes me ajudou, guardava água numa caixinha atrás da moto para mim.

O pessoal do posto de hidratação também me ajudou, enchiam minha garrafa já vazia com água geladinha. Uma bênção! E assim fui seguindo. Quando chegamos ao km 16, senhor Hermes falou: faltam 5! Sim, faltavam 5 km, distância de treino leve… eu consigo.

E a partir daí a contagem regressiva de kms foi me deixando mais animada. Eu ia conseguir! Aquela prova que parecia interminável estava terminando!!!

Voltamos para a rua de terra, depois asfalto e então logo viria o paralelepípedo. O temido paralelepípedo. Por uma parte fui pela calçada. Mas os últimos metros foi pela rua mesmo. Onde logo encontraria a Leana. Conheci ela na Corrida Só para Elas, quando ela estreou nas pistas. Hoje ela voa, e correu ao meu lado os últimos metros. Para tornar a chegada ainda mais emocionante, senhor Hermes ligou as sirenes da moto. Além disso, os atletas que estavam esperando para começar a premiação começaram a me aplaudir. Olhei para Leana e mostrei os braços arrepiados. Quase chorei. O narrador falou algo como “lá vem a última atleta…”. Não lembro direito. Só que cheguei, emocionada, exausta, mas havia conseguido. Venci os 21 km, o sol, o calor.

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Mesmo em último me sentia a mais vitoriosa.

O tempo? Bom, foi pior que a Meia de Joinville, mas melhor que a Meia de Floripa. E olha o curioso, porque poucas mulheres se aventuraram na maior distância da prova, eu ainda fiquei em segundo lugar na minha categoria. Assim como aconteceu na Joinville 10k onde fiz 16 km. Mas como diz o Junior, do Desafio Running, só ganha quem participa. E eu participei, fui além de muitos, fui até corajosa, venci meus limites e medos. E sim, fiz 21 quilômetros um dia infernalmente quente. Então estou no hall de todos os que fizeram essa prova: o de guerreiros.

Pontos positivos

– Só tenho a agradecer aos amigos da 42k, a organização, aos amigos todos que estavam lá, até ao narrador que fez uma narração especial na minha chegada… dia mais que especial!

– Os agentes de trânsito que fizeram a segurança da prova, em especial ao sr. Hermes que me escoltou, até pegou água pra mim, foi essencial para eu conseguir terminar a prova.

– Ao pessoal dos postos de hidratação. Teve uma moça que até encheu minha garrafa de água, superatenciosos!

– A organização foi super atenciosa, e começou a premiação só depois que eu cheguei.

– Frutas, água tudo de bom na hora da chegada. Providencial!

Pontos a melhorar

– Definitivamente o horário da largada da corrida deve ser repensado. Nós nem estávamos nos dias mais quentes – esperados para novembro – e a prova já foi um desafio ainda maior por causa do calor. Sete horas, ou até 6h30… acreditem, não vamos reclamar de acordar cedo para correr.

– Acho muito bacana as provas de corrida terem a opção de caminhada. Mas que tal colocar a largada de quem corre e quem caminha em horários diferentes? Até para a segurança dos participantes isso deve ser levado em consideração.

– O último posto de hidratação só tinha água quente quando eu passei… sei que a infraestrutura da prova iria começar a ser desmontada a partir das 2h30 de prova, mas poxa… água gelada naquele sol era questão de sobrevivência.

3 Comment

  1. Leana says: Responder

    Fernanda sua linda!!!! Sempre me emociono com seus post. Eles passam o que realmente cada um de nós pensamos. “Insanidade ” kkkk isso não nos falta,né? Uma prova que ficará registrada em minha memória um bom tempo. Ainda estou sentindo as consequências da prova em meu corpo. Mas agradeço a Deus por ter me dado força para concluir. Sim… quase abandonei a prova. Comecei sentir muito o joelho no retorno e o calor. Mas … quando quase desisti ,surge vc no caminho para dar aquela força . Na hora passou um filme na cabeça, do dia que comecei a correr e me deu a maior força. Então… mentalizei aquele dia , não pensei mais na dor,e consegui concluir a prova. Gratidão sempre !!! Você é super responsável por toda a minha trajetória nas pistas. Você é super guerreira e determinada, e muitos se espelham em ti para continuar nas pistas. Pense nisso sempre! Imagina se não tivesse me incentivado ? Também participei de todas as edições dessa prova, concordo em tudo que citou aqui. Mas se ano que vem vou participar??? Aí já é outra história kkkk
    Da-lhe insanidade,né? Parabéns para todos os atletas que participaram dessa edição,super desafio ! #3°ediçãoPiracitySomostodosguerreiros

    1. Assim eu choro, Le!!! Que comentário mais emocionante!!! <3 <3

      Fernanda Lüttke

  2. Alessandra says: Responder

    Emocionante seus comentários sobre nosso evento, e saber que é isto que nos motiva a continuar realizando eventos que transformam vidas, o que cada um leva de bom pra si do que fazemos é o que mais importa. Sim foi duro mais vc aplicou ali naquele domingo toda a experiência e vontade daquilo que vc gosta de fazer. Com certeza a largada em 2018 vais ser mais cedo hehe. Bjs a todos e boas corridas

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